Justiça do Piauí restabelece norma da Arsete sobre cobrança de taxa de esgoto em Teresina
A Justiça do Piauí decidiu, na quarta-feira (11), restabelecer integralmente a norma da Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Teresina (Arsete) que condiciona a cobrança da taxa de esgoto à existência de caixa de inspeção externa ou terminal de inspeção e limpeza. A decisão, proferida pelo desembargador José Wilson Ferreira, da 2ª Câmara de Direito Público, derrubou uma liminar que permitia à Águas de Teresina continuar cobrando a taxa mesmo sem a presença desses pontos de coleta essenciais.
O que são os pontos de coleta e por que são fundamentais?
A caixa de inspeção externa é instalada na calçada e permite a ligação segura entre o sistema do imóvel e a rede pública de esgoto. Já o terminal de inspeção e limpeza cumpre função similar, garantindo acesso para manutenção e conexão adequada. Segundo a Arsete, a rede coletora na rua, sozinha, não é suficiente para justificar a cobrança da taxa, pois a ausência desses elementos impede o uso efetivo do serviço de esgotamento sanitário.
Contexto do conflito e argumentos das partes
A Águas de Teresina havia entrado com uma ação para suspender a resolução da Arsete, alegando que as novas regras poderiam gerar perdas financeiras significativas para a empresa. No entanto, o desembargador José Wilson Ferreira destacou em sua decisão monocrática que não há provas concretas de que a norma cause prejuízo financeiro imediato à subconcessionária.
Além disso, o magistrado citou um decreto municipal de 2014, que define claramente os pontos de coleta como a ligação indispensável entre a rede pública de esgoto e as instalações internas dos imóveis. Uma fiscalização realizada pela Arsete identificou que, em diversos locais de Teresina, apesar da existência da rede coletora, não havia caixa de inspeção externa ou terminal de inspeção e limpeza, configurando uma cobrança indevida segundo a agência reguladora.
Impacto da decisão e próximos passos
O desembargador enfatizou que "a manutenção da suspensão integral da resolução implica risco de cobranças em situações nas quais a própria documentação técnica aponta inexistência de conexão ao sistema público". Dessa forma, a decisão judicial reafirma a necessidade de maior cautela e transparência na aplicação da taxa, protegendo os consumidores de pagamentos por serviços não efetivamente disponíveis.
O g1 Piauí entrou em contato com a Águas de Teresina para obter um posicionamento sobre a decisão, mas ainda aguarda resposta. A subconcessionária tem o direito de recorrer da decisão, o que pode prolongar o impasse regulatório. Enquanto isso, a Arsete discute uma nova normativa sobre a cobrança da taxa de esgoto, buscando alinhar as práticas de fiscalização com as exigências técnicas e legais.
Este caso ilustra a complexidade da regulação dos serviços públicos essenciais e a importância do judiciário na mediação de conflitos entre agências reguladoras e concessionárias, sempre visando ao equilíbrio entre a sustentabilidade financeira das empresas e os direitos dos cidadãos.



