CLDF aprova projeto que permite uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB
CLDF aprova uso de terrenos públicos como garantia para BRB

Câmara Legislativa do DF aprova projeto que autoriza uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou nesta terça-feira (3) o projeto de lei que autoriza a transferência de nove imóveis públicos da capital federal para o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A votação em primeiro turno registrou 14 votos a favor e 10 contra, com o segundo turno previsto para ocorrer ainda no mesmo dia.

Detalhes da proposta e votação

De autoria do governador Ibaneis Rocha (MDB), o projeto de lei não apenas permite que os terrenos públicos sejam utilizados como garantia para empréstimos, mas também autoriza a venda desses imóveis. O governo, como acionista controlador do BRB, busca com esta medida melhorar a situação patrimonial do banco, que foi abalada por transações malsucedidas durante a tentativa de compra do Banco Master – operação negada pelo Banco Central em 2025 e atualmente sob investigação.

Os deputados que votaram a favor do projeto foram:

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  • Daniel Donizet (MDB)
  • Doutora Jane (AGIR)
  • Eduardo Pedrosa (União Brasil)
  • Hermeto (MDB)
  • Iolando (MDB)
  • Jaqueline Silva (AGIR)
  • Joaquim Roriz (PL)
  • Jorge Vianna (PSD)
  • Martins Machado (Republicanos)
  • Pastor Daniel de Castro (PP)
  • Pepa (PP)
  • Robério Negreiros (PSD)
  • Roosevelt Vilela (PL)
  • Wellington Luiz (MDB)

Os deputados que votaram contra o projeto foram:

  • Chico Vigilante (PT)
  • Dayse Amarílio (PSB)
  • Fábio Félix (PSOL)
  • Gabriel Magno (PT)
  • João Cardoso “Professor Auditor” (Avante)
  • Max Maciel (PSOL)
  • Paula Belmonte (Cidadania)
  • Ricardo Vale (PT)
  • Rogério Morro da Cruz (PMN)
  • Thiago Manzoni (PL)

Debate acalorado no plenário

Durante a sessão, deputados da oposição criticaram fortemente a proposta, argumentando que o projeto não resolverá os problemas financeiros do Banco de Brasília. O deputado Max Maciel (PSOL) destacou que os terrenos em questão possuem função social e não podem ser considerados ociosos.

Mesmo dentro da base governista, houve discordância. O deputado Thiago Manzoni (PL) posicionou-se contra o projeto, afirmando que não há garantias de que a medida salvará o banco. "R$ 6 bilhões do dinheiro público do pagador de imposto do DF sumiram e sabe qual é a solução que está sendo dada? Pega mais dinheiro do pagador de imposto e coloca para cobrir", declarou o parlamentar.

Em defesa da proposta, o deputado Hermeto (MDB), líder do governo na CLDF, afirmou que foram "enganados" na votação para aprovar a compra do Banco Master e garantiu que não permitirão que o BRB chegue ao fundo do poço. "Quem levou o BRB à essa situação, que responda, não vamos penalizar o banco. Eu vou lutar pelo banco", declarou.

Entenda as opções previstas no projeto

Segundo o texto em tramitação, o governo do Distrito Federal e o BRB terão várias alternativas para utilizar os imóveis públicos em benefício do banco:

  1. Inclusão direta no patrimônio: O governo do DF poderá transferir os imóveis diretamente para o BRB, onde passariam a constar como ativos imobilizados no capital do banco.
  2. Venda dos imóveis: O documento autoriza expressamente a venda dos nove imóveis incluídos na lista, com os recursos sendo incorporados ao patrimônio do banco.
  3. Outras medidas financeiras: O projeto abre espaço para que o BRB e o governo do DF utilizem "outras medidas permitidas em lei" para reforçar o patrimônio do banco, incluindo a possibilidade de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras.

Lista dos imóveis públicos envolvidos

Os nove imóveis que compõem a proposta, com seus respectivos valores estimados pela Terracap, são:

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  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F (pertencente à Caesb): R$ 632 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote C (pertencente à CEB): R$ 547 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote B (pertencente à Novacap): R$ 1,02 bilhão
  • Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga (sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década): R$ 491 milhões
  • "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap: R$ 2,2 bilhões
  • Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões

A oposição continua a apontar que as informações sobre o projeto de lei e sobre a real situação do BRB não estão suficientemente detalhadas, enquanto parte da base governista mantém alinhamento com o governo na defesa da medida como necessária para a recuperação financeira do banco público.