Auditoria do TCE-PI expõe condições precárias no Corpo de Bombeiros do Piauí
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) entre julho e outubro de 2025 revelou graves deficiências na estrutura e na capacidade operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí. O relatório, aprovado em sessão plenária no dia 26 de março e divulgado na terça-feira (14), apontou problemas significativos em alojamentos e viaturas, que estariam mal conservados e em número insuficiente para atender às demandas da população.
Condições precárias nos alojamentos dos bombeiros
A fiscalização identificou sérios problemas estruturais nas unidades onde os bombeiros atuam e residem. Entre as principais falhas constatadas estão:
- Beliches e colchões em estado deplorável de conservação
- Infiltrações generalizadas e presença de mofo nos ambientes
- Falta de proteção adequada nas laterais dos alojamentos
- Excesso de fiação espalhada pelo chão, criando riscos de acidentes
- Alagamentos frequentes durante períodos de chuva
Em um dos alojamentos analisados, os técnicos do TCE relataram que "o espaço não tem nenhuma proteção nas laterais, além de muita fiação pelo chão. Quando chove, alaga tudo e pode ocasionar acidentes graves". O tribunal também destacou que alguns alojamentos não possuem capacidade suficiente para abrigar todos os agentes em serviço, obrigando muitos bombeiros a buscar acomodações alternativas.
Deficiências nas viaturas e infraestrutura operacional
A auditoria constatou que alguns grupamentos de bombeiros não dispõem de garagens adequadas para as viaturas ou contam com espaços sem cobertura, expondo os veículos às intempéries. Além disso, o número de viaturas disponíveis foi considerado insuficiente para atender adequadamente às emergências em todo o estado.
Outras deficiências graves identificadas pelo TCE-PI incluem:
- Baixa cobertura de unidades dos bombeiros, especialmente na região Sul do Piauí
- Quadro de pessoal insuficiente para a demanda estadual
- Falta de pessoal especializado em funções críticas da corporação
- Instabilidade e indisponibilidade do telefone de emergência 193 no interior do estado
Saúde mental e metodologia da auditoria
O relatório do tribunal destacou ainda a necessidade urgente de implementação de um programa de saúde mental para os membros da corporação, reconhecendo as pressões psicológicas inerentes à profissão.
A auditoria considerou os anos de 2024 e 2025 e utilizou uma metodologia abrangente que incluiu:
- Aplicação de questionários a 120 bombeiros militares
- Pesquisa com 564 cidadãos em 109 cidades do Piauí
- Inspeções presenciais nos Grupamentos de Bombeiros Militares em Teresina, Parnaíba, São Raimundo Nonato, Picos, Oeiras, Floriano e Piripiri
Resposta do Corpo de Bombeiros e compromissos futuros
Em nota oficial enviada ao g1, o Corpo de Bombeiros Militar do Piauí informou que já está tomando providências relacionadas às informações levantadas pelo TCE-PI. A corporação destacou que "serão atendidas todas as demandas apresentadas pelo TCE, relacionadas ao atendimento de ocorrências e à prestação de serviços à população".
O TCE-PI afirmou que "foram propostas medidas concretas para saneamento das falhas identificadas, as quais foram acatadas com unanimidade pelo Plenário, no formato de determinações e recomendações a serem futuramente acompanhadas e monitoradas pela equipe de auditoria".
O Corpo de Bombeiros reforçou seu compromisso permanente com o aprimoramento das atividades operacionais e administrativas, atuando de forma contínua para ampliar a capacidade de atendimento e garantir maior eficiência e cobertura em todo o estado do Piauí.



