Série de acidentes graves em obras da Sabesp em São Paulo deixa mortos e feridos
Uma sequência de acidentes graves envolvendo obras da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem causado mortes, feridos e danos significativos na região metropolitana de São Paulo desde o ano passado. O episódio mais recente ocorreu em Mairiporã, onde o rompimento de uma caixa d’água em construção resultou na morte de um funcionário e deixou nove pessoas feridas.
Cratera na Marginal Tietê travou trânsito por meses
O primeiro incidente de grande impacto aconteceu em 10 de abril do ano passado, quando uma cratera se abriu na Marginal do Tietê, próximo à Ponte Atílio Fontana. O acidente foi causado por uma sobrecarga na rede de esgotos que passa pelo local, bloqueando o acesso da pista local para a central na altura da saída da Rodovia dos Bandeirantes por vários meses.
O reparo inicial realizado pela empresa durou aproximadamente uma semana, mas, em maio, o buraco reabriu. A correção completa do local só foi concluída em fevereiro deste ano, após quase um ano de obras, com um custo estimado em cerca de R$ 75 milhões. O asfalto da Marginal do Tietê cedeu três vezes antes que a pista fosse totalmente fechada para manutenção.
Morte de idosa em Mauá por tubulação solta
Em setembro do ano passado, um acidente trágico ocorreu em Mauá, no ABC Paulista. Uma tubulação da Sabesp se desprendeu de uma obra e atingiu a residência de Cleia dos Santos Pimentel, uma idosa de 79 anos que estava sentada na sala de sua casa assistindo televisão. Ela faleceu antes da chegada do socorro.
Segundo comunicado da empresa na época, a tubulação se soltou devido a um aparente excesso de peso durante o içamento. Moradores vizinhos relataram que o cano escorregou de um barranco antes de colidir com o imóvel. O diretor regional da Sabesp, Nivaldo Rodrigues da Costa, lamentou o ocorrido e afirmou que cerca de 10 trabalhadores estavam no local no momento do incidente.
Rompimento de reservatório em Mairiporã causa emergência
Na quinta-feira, 12 de março, a Prefeitura de Mairiporã decretou situação de emergência nos bairros Jardim Nery e Capoavinha após o rompimento de uma caixa d’água da Sabesp. O acidente matou um funcionário da empresa contratada para a obra e deixou nove feridos, com três deles ainda internados no Hospital Anjo Gabriel.
Até o momento, 82 pessoas foram retiradas de suas casas, sendo que 25 famílias foram afetadas. Dessas, 10 famílias, totalizando 32 pessoas, estão abrigadas em hotéis, enquanto outras 15 foram para a casa de parentes. A Defesa Civil Municipal realizará vistorias técnicas para identificar residências que precisarão ser interditadas temporária ou permanentemente.
A caixa d’água rompida fazia parte de uma obra iniciada em janeiro de 2025, com previsão de conclusão para maio de 2026, e tinha capacidade para armazenar 2 milhões de litros de água, destinada a abastecer três bairros da cidade. O prefeito Walid Ali Hamid (PSD) afirmou que o município formalizará um ofício à Sabesp solicitando esclarecimentos sobre as causas do acidente, medidas de reparação e compensação às famílias afetadas.
Posicionamento da Sabesp
Em nota, a Sabesp lamentou profundamente o falecimento do colaborador e se solidarizou com sua família, amigos e colegas de trabalho. A empresa também manifestou solidariedade aos moradores de Mairiporã impactados pelo acidente e afirmou que mobilizou equipes operacionais, de assistência social e de atendimento emergencial para prestar apoio necessário.
A companhia destacou que acompanha diretamente a situação e está colaborando integralmente com a apuração do ocorrido, iniciando uma rigorosa investigação interna para identificar as causas do acidente. A Sabesp reiterou que irá ressarcir todos os prejuízos causados pela ocorrência. A reportagem procurou a empresa para mais informações e aguarda retorno.
Vale ressaltar que a Sabesp foi privatizada há menos de dois anos pelo governo de São Paulo, um contexto que tem levantado discussões sobre a gestão e segurança em suas obras. Esses incidentes consecutivos destacam preocupações urgentes com a fiscalização e os protocolos de segurança em projetos de infraestrutura crítica no estado.



