O Réveillon de uma família de Ipojuca, no Grande Recife, foi marcado por um momento de muita tensão e emoção. A advogada Tassiana Lins, grávida de nove meses, deu à luz dentro do carro na noite de Ano-Novo, enquanto o casal seguia para a maternidade.
Corrida contra o tempo para a maternidade
A viagem curta, de cerca de 25 minutos entre o distrito de Camela, onde o casal mora, e a Maternidade Mãe Lídia, no centro de Ipojuca, teve uma reviravolta dramática. Cecília decidiu chegar ao mundo antes da virada para 2026, por volta das 21h da quarta-feira, 31 de dezembro.
O pai da criança, o motorista de ônibus Everton Henrique Campos, se transformou em parteiro de última hora. Ele relatou que a mãe começou a sentir contrações ainda de manhã, mas a situação se intensificou à noite. "Antes de Ipojuca, tem o Trevo de Rurópolis, [de] onde se vai para Porto de Galinhas. Assim que a gente passou do trevo, ela [Tassiana] disse: 'olha, a bebê vai nascer'", contou Everton.
Parto realizado com uma mão no volante
Com a certeza da esposa, Everton colocou a mão e sentiu a cabeça da bebê. O instinto e a experiência ao volante falaram mais alto. Ele precisou dirigir por alguns metros usando apenas uma mão, enquanto com a outra apoiava a cabeça da filha para que ela não caísse no piso do veículo.
"Mesmo com uma mão só dirigindo, consegui contornar a situação e deu tudo certo", afirmou o pai, que manteve a calma durante o procedimento inusitado. Ele conseguiu parar o carro, mas não houve tempo de esperar por ajuda profissional. "Eu parei mais na frente, mas não deu tempo para outra pessoa chegar", lembrou.
Ajuda solidária e desfecho feliz
Após o parto, uma moradora da região onde o carro parou trouxe uma toalha para cobrir a recém-nascida, em um gesto de solidariedade. Vídeos gravados pelo pai mostram a pequena Cecília chorando e, depois, a mãe com a filha no colo dentro do carro.
Ao chegarem à Maternidade Mãe Lídia, mãe e bebê ainda estavam ligados pelo cordão umbilical e receberam assistência imediata da equipe médica para saírem do veículo. Após o corte do cordão e os cuidados necessários, ambas foram transferidas para o alojamento.
A avaliação médica confirmou que a mãe e a recém-nascida passam bem. A alta hospitalar estava prevista para sexta-feira, dia 2 de janeiro. O pai, acostumado a dirigir longas distâncias no trabalho, creditou sua calma à experiência no trânsito, mas admitiu: "Nervoso eu fiquei depois".
O nascimento de Cecília dentro do carro na noite de Réveillon em Ipojuca se tornou uma história emocionante de superação, calma sob pressão e a imprevisibilidade da vida, que não respeita nem mesmo a virada do ano para fazer sua estreia.