Papa Leão XIV pede respeito à vontade dos venezuelanos e critica 'diplomacia da força'
Papa Leão XIV faz alerta contundente sobre guerras e Venezuela

Em um pronunciamento histórico e de tom firme, o Papa Leão XIV fez seu primeiro grande discurso diplomático nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. Diante de 184 embaixadores credenciados junto à Santa Sé, no Vaticano, o pontífice americano lançou um alerta contundente contra a crescente normalização das guerras e defendeu com vigor o respeito à vontade e aos direitos do povo venezuelano.

Um apelo contra a "diplomacia da força"

O Papa Leão XIV, o primeiro nascido nos Estados Unidos a liderar a Igreja Católica, expressou profunda preocupação com o que chamou de enfraquecimento dos organismos multilaterais. Em seu discurso sobre o "estado do mundo", tradição anual dos papas, ele criticou duramente a substituição do diálogo pela coerção. "A diplomacia do diálogo está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força. A guerra voltou à moda, e um zelo belicista se espalha pelo mundo", afirmou, visivelmente preocupado com a escalada de conflitos globais.

O religioso, que serviu como missionário no Peru por décadas antes de sua eleição, não citou diretamente o presidente americano Donald Trump. No entanto, sua crítica ao uso da força militar como ferramenta de política externa ecoa em um contexto internacional tenso. Ele insistiu que a solução para as crises passa pelo fortalecimento das instituições internacionais e pela retomada urgente do diálogo político.

A situação na Venezuela no centro das atenções

Um dos pontos mais aguardados do discurso foi o posicionamento sobre a Venezuela. O Papa Leão XIV mencionou diretamente a captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas, ocorrida no fim de semana anterior. O pontífice fez um apelo claro e direto à comunidade internacional: é fundamental "respeitar a vontade" dos cidadãos venezuelanos daqui para frente.

Além do apelo democrático, ele cobrou proteção efetiva para os direitos humanos e civis no país, que enfrenta um prolongado cenário de instabilidade política e social. Sua fala reforça o papel da Santa Sé como voz mediadora e defensora das populações em situações de conflito.

Posições firmes sobre temas sensíveis da Igreja

Mostrando-se mais incisivo do que em seus primeiros meses de pontificado, Leão XIV também dedicou parte de sua fala a questões doutrinárias importantes para a Igreja Católica. Ele condenou de forma veemente práticas como:

  • Aborto
  • Eutanásia
  • Gestação por substituição (conhecida popularmente como barriga de aluguel)

O pontífice ainda abordou temas de liberdade no Ocidente, advertindo que a liberdade de expressão "encolhe rapidamente". Em uma referência inteligente, citou o famoso escritor George Orwell, autor de "1984", para criticar o que chamou de uso desenfreado de uma "linguagem orwelliana". Segundo ele, esse fenômeno, em nome da inclusão, acaba por excluir quem não adere às ideologias dominantes.

Finalmente, Leão XIV afirmou que os cristãos enfrentam "formas sutis de discriminação religiosa" tanto na Europa quanto nas Américas, reforçando a necessidade de vigilância constante na defesa da liberdade de crença.

Este discurso, o primeiro de seu tipo em seu papado, marca claramente as prioridades do Papa Leão XIV: uma defesa intransigente da paz pelo diálogo, uma atenção especial aos povos em crise, como o venezuelano, e a reafirmação dos valores centrais da doutrina católica em um mundo em rápida transformação.