Em um discurso marcante para o início de seu pontificado, o Papa Leão XIV fez um apelo por unidade e por uma postura mais acolhedora da Igreja Católica. O pedido foi dirigido aos cardeais durante o primeiro grande encontro do pontífice com os principais líderes da instituição.
Chamado à união e ao acolhimento
O evento, que reuniu 170 dos 245 cardeais da Igreja no Vaticano, ocorreu nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026. Em declaração divulgada pela Santa Sé, Leão XIV foi enfático ao afirmar que divisões internas só causam enfraquecimento. “Só o amor é confiável; só o amor é crível. Enquanto a unidade atrai, a divisão dispersa”, declarou o Papa.
Ele ressaltou que a mensagem central da fé deve ser o amor universal e que a Igreja só conseguirá crescer e atrair novos fiéis se transmitir uma imagem de acolhimento e misericórdia a todos.
Continuidade das reformas do Papa Francisco
Um dos pontos mais aguardados do encontro era o posicionamento de Leão XIV em relação ao legado de seu antecessor. O novo pontífice sinalizou claramente a intenção de dar continuidade às reformas iniciadas pelo Papa Francisco, que faleceu em abril.
Francisco, que liderou a Igreja por 12 anos, enfrentou resistência de setores conservadores ao buscar uma postura mais inclusiva, especialmente em temas sensíveis como:
- A maior participação de mulheres nas estruturas da Igreja.
- O acolhimento de fiéis da comunidade LGBTQ+.
- Esforços para atrair novos católicos em um mundo secularizado.
Leão XIV, eleito em maio e primeiro americano a assumir o papado, demonstrou que manterá esse caminho, colocando o diálogo e a inclusão como prioridades.
Um encontro fechado para um diálogo franco
Para garantir conversas abertas e produtivas, a reunião de dois dias foi realizada a portas fechadas, sem a presença da imprensa. O Vaticano orientou todos os participantes a não comentarem publicamente os detalhes das discussões, visando preservar a transparência e a liberdade do diálogo interno.
Além de expor sua visão, Leão XIV também buscou orientação dos cardeais sobre as prioridades para os próximos dois anos de seu pontificado. A busca por consenso e direção coletiva ficou evidente.
O cardeal britânico Timothy Radcliffe ecoou o apelo do Papa durante os debates, alertando os colegas sobre os riscos das divisões. “Se brigarmos entre nós, não seremos úteis ao Santo Padre”, afirmou, defendendo que a união é fundamental para fortalecer a autoridade e a missão evangelizadora da Igreja no mundo contemporâneo.
O encontro terminou na quinta-feira, 8 de janeiro, deixando claro que o pontificado de Leão XIV começou com um forte compromisso com a herança do Papa Francisco, mas também com um chamado pessoal e urgente para que a Igreja seja, acima de tudo, uma casa de portas abertas, unida pela força do amor.