Semana de Moda de Milão 2026: Preto, Proteção e Posicionamentos em Tempos Sombrios
Moda em Milão 2026: Preto e Proteção em Tempos Sombrios

Semana de Moda de Milão 2026: Preto, Proteção e Posicionamentos em Tempos Sombrios

A temporada de moda inverno 2026 em Milão foi intensa e densa, com estilistas utilizando suas coleções para fazer declarações poderosas em meio a um cenário global marcado por guerras e tempos sombrios. A sensação predominante era de que algo precisava ser dito, e a moda respondeu com uma energia contundente, longe de ser uma semana morna ou superficial.

Estreias que Concentraram os Holofotes

Três estreias polêmicas roubaram a cena durante o evento. Na Fendi, Maria Grazia Chiuri optou por um silêncio eloquente através do monocromático, mas gerou controvérsia ao ostentar peles em seus primeiros 17 looks, focados em preto e branco. As silhuetas eram precisas e quase severas, interrompidas por coletes e echarpes, numa homenagem às cinco irmãs Fendi, com ecos de rendas e saias longas do repertório anterior da estilista.

Na Marni, Meryll Rogge trouxe a marca de volta à vida real, com saias na altura do joelho, bijoux pesadas e combinações cromáticas improváveis. "É importante voltar à essência", afirmou a estilista, defendendo uma moda para o dia inteiro, não apenas para fotos.

Já na Gucci, Demna focou na sensualidade, com silhuetas coladas ao corpo que tensionavam masculinidades musculosas e feminilidades estreitas, dividindo opiniões mas deixando todos impactados. O icônico fio dental apresentado por Tom Ford em 1997 ressurgiu, usado por Kate Moss em um vestido com o duplo G em ouro branco cravejado de diamantes.

O Preto como Página em Branco e a Busca por Proteção

O preto reinou soberano nas passarelas, mas atuou como páginas em branco para diversas interpretações. Na Bottega Veneta e Dolce & Gabbana, apareceu em couro, renda, meia-calça e botas altíssimas de bico fino. O tema da proteção foi explorado em profundidade, como na Max Mara, onde Ian Griffiths buscou inspiração em armaduras medievais, traduzidas em tabardos de cashmere e botas chapadas acima da coxa, com uma mensagem clara de camuflagem e sobrevivência.

Na Bottega Veneta, Louise Trotter investigou volumes que envolvem e distorcem o corpo, questionando "como uma fachada austera esconde a beleza interior". Já na Prada

Detalhes Maximalistas e uma Nova Geração

Se o preto dominou, o maximalismo sussurrou nos detalhes: rendas, brilhos metálicos, lenços paisley e camisas multiplicadas em variações quase obsessivas. As botas acima do joelho voltaram com força total, evocando um erotismo característico dos anos 1990.

Por fim, uma nova geração de talentos começou a ganhar tração internacional, com nomes como Act No.1 e Institution by Galib Gassanoff avançando no radar da moda. Isso sinaliza que Milão não vive apenas de sua rica herança, mas também de uma constante reinvenção, mantendo a cidade fora da zona de conforto e na vanguarda das tendências globais.