Irã ataca vizinhos árabes em tentativa de pressionar Trump, mas estratégia gera fúria e isolamento regional
A tática do Irã de bombardear países vizinhos e ameaçar sua produção de petróleo, com o objetivo de forçá-los a pressionar os Estados Unidos a suspender operações militares, está falhando de forma estrondosa. Em vez de alcançar concessões, os ataques com mísseis e drones estão deixando nações árabes furiosas e fortalecendo ainda mais a hegemonia americana e israelense na região. O predomínio dos Estados Unidos é tão significativo que o presidente Donald Trump já se permite troçar abertamente do inimigo, declarando em tom bombástico que "é tarde demais" para conversas.
Reação furiosa dos países do Golfo
O Irã mirou dez países, incluindo o Catar, numa clara demonstração de desespero estratégico. Contudo, a tentativa de coagir os vizinhos árabes a interceder junto a Washington está produzindo o efeito contrário. Os ataques, longe de serem pontuais, têm sido massivos: somente contra os Emirados Árabes Unidos, foram disparados 186 mísseis e 812 drones, segundo balanços oficiais. Até o Kuwait, tradicionalmente neutro, tem sido alvo frequente por abrigar bases americanas, refletindo uma opção maximalista do regime iraniano.
Cenas dramáticas ilustram o estado de espírito na região: um piloto americano ejetado após seu F-15 ser abatido por fogo amigo quase foi agredido por um cidadão kuwaitiano que o confundiu com um iraniano. Em contrapartida, uma piloto recebeu agradecimentos calorosos da população local, evidenciando a divisão de sentimentos. Esses incidentes ocorrem enquanto países como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos expressam indignação crescente.
Ruptura de políticas de ambiguidade
O Catar, que mantinha uma política multifacetada de ambiguidade – financiando e abrigando líderes do Hamas enquanto cultivava proximidade excessiva com Trump – viu sua estratégia desmoronar. O emir Tamim bin Hamad al Thani, conhecido por seu sorriso exuberante ao lado do presidente americano, parece ter abandonado a aproximação com o Irã. Presentes controversos, como um avião caríssimo oferecido a Trump para substituir o Air Force One, simbolizam essa relação peculiar, mas o ataque iraniano quebrou qualquer ilusão de neutralidade.
Outros países do Golfo que tentaram aberturas diplomáticas com o Irã, como a Arábia Saudita – que revogou uma ruptura de anos –, agora se veem traídos, recebendo "tiro, pancada e bomba" em retribuição. Muito dessa reaproximação foi impulsionada pela política do ex-presidente Joe Biden, que condenou ostensivamente o príncipe Mohammed bin Salman pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. No entanto, a necessidade de estabilizar o mercado de petróleo forçou revisões, com visitas de alto nível para mendigar aumentos na produção.
Estratégia iraniana e sobrevivência existencial
A estratégia do Irã, conforme analisada por especialistas, visa danificar a infraestrutura de gás e petróleo nos países vizinhos, fechar o Estreito de Ormuz à navegação e interromper o tráfego aéreo. O objetivo é convulsionar as economias do Golfo Pérsico, elevar os preços globais da energia e exaurir os interceptadores de mísseis dos inimigos. Se o custo é queimar pontes com os vizinhos, o regime parece disposto a pagá-lo, priorizando a sobrevivência existencial e um impulso destrutivo.
Ali Larijani, potencial substituto do aiatolá Khamenei – pulverizado junto com 48 figurões do regime nos primeiros trinta segundos da guerra –, proclamou que o Irã está preparado para um conflito prolongado. Essa posição o coloca em altíssimo risco, mas reflete a determinação de uma liderança acuada. A operação que eliminou Khamenei foi possibilitada por inteligência israelense e da CIA, incluindo um informante in loco e o hackeamento de câmeras de trânsito em Teerã para rastrear o aiatolá.
Consequências imprevisíveis e fraturas expostas
O conflito também expõe a fratura entre sunitas, a vertente majoritária do Islã predominante entre os árabes, e o Irã xiita. A perda da ilusão de que se entenderiam, unidos pela oposição a Israel e pelas consequências de Gaza, é um dos múltiplos resultados desta guerra de extensão e duração ainda imprevisíveis. Internamente, iranianos que execram o regime celebraram a morte de Khamenei, mas não surgiram ondas massivas de protesto, indicando um cenário complexo.
Enquanto isso, países que se modelaram como estáveis e atraentes para moradores e turistas estrangeiros pagam um preço alto, mas por enquanto suportável, por sua localização geográfica. O xeque Al Thani, como qualquer líder político, tem mais interesses do que amigos, e a observação dos países ao redor – alguns no mundo dos vivos, outros "em outra dimensão" – o afasta de brigar com Trump e fazer o jogo do Irã. Ao contrário de canastrões de outras plagas, ele não acha que está na hora de se preparar para o pior, confiando na proteção americana.
