Ofensiva de Israel no Líbano desloca mais de 58 mil pessoas em 24 horas
Ofensiva de Israel desloca 58 mil no Líbano em 24h

Ofensiva de Israel no Líbano provoca êxodo massivo de civis

Os ataques militares de Israel contra o sul do Líbano já resultaram no deslocamento forçado de mais de 58 mil pessoas, conforme informaram autoridades libanesas nesta terça-feira, 3 de março de 2026. Segundo dados da unidade de gestão de desastres do governo libanês, o número total de deslocados dobrou em apenas 24 horas, em meio à intensificação dos bombardeios aéreos e ao avanço de tropas terrestres israelenses na região fronteiriça.

Escalada do conflito após retaliação do Hezbollah

A violência teve início após o grupo xiita Hezbollah lançar foguetes e drones contra território israelense, afirmando agir em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques ocorridos no último sábado, 28 de fevereiro, atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Em resposta, o governo israelense ampliou significativamente sua ofensiva, atingindo bairros do sul de Beirute e dezenas de vilarejos no sul libanês, áreas tradicionalmente consideradas redutos do Hezbollah.

Nesta terça-feira, forças terrestres israelenses adentraram áreas próximas à fronteira, incluindo as planícies de Kfarkila e Khiam, conforme relatou uma fonte do Exército libanês à agência de notícias AFP. As Forças de Defesa de Israel confirmaram o avanço militar, declarando que estão estabelecendo uma "zona de segurança" no sul do Líbano para impedir ataques contra comunidades do norte de Israel.

Declarações oficiais e ações militares

"O Comando Norte continuou avançando e está criando uma zona de segurança, como prometemos, entre nossos habitantes e qualquer tipo de ameaça", afirmou o porta-voz militar israelense Effie Defrin. Mais cedo, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, revelou que, com autorização do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ordenou que o Exército "avance e assuma o controle de posições estratégicas adicionais" em território libanês.

Em contrapartida, o Hezbollah declarou ter lançado novas salvas de mísseis e drones contra bases militares no norte de Israel. O Exército israelense respondeu com mais bombardeios e emitiu ordens para que moradores abandonassem vilarejos ao sul do rio Litani, ampliando ainda mais o êxodo na região e esvaziando áreas inteiras nos subúrbios do sul de Beirute.

Colapso do cessar-fogo e ampliação regional do conflito

A violência atual coloca em xeque o cessar-fogo firmado em novembro de 2024, que havia interrompido meses de confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah, embora com violações pontuais de ambos os lados. A trégua deteriorou-se completamente após a guerra aérea iniciada no sábado contra o Irã, transformando o embate entre Teerã, Israel e Estados Unidos em um conflito de alcance regional.

Nesta manhã, o ministro Katz reafirmou que as tropas israelenses devem "manter posição e avançar" no sul do Líbano para impedir novos ataques do Hezbollah. Paralelamente, Estados Unidos e Israel mantiveram ofensivas contra alvos iranianos. Washington afirmou ter destruído instalações de comando da Guarda Revolucionária Islâmica, enquanto o Irã reagiu com ataques a interesses americanos na região, incluindo um ataque com drones contra a embaixada dos EUA em Riad, que provocou um incêndio de pequenas proporções.

O conflito, que já deslocou mais de 58 mil libaneses em menos de um dia, representa uma das maiores crises humanitárias recentes na região, com implicações geopolíticas que se estendem para além das fronteiras do Líbano e Israel, envolvendo potências regionais e internacionais em um cenário de crescente instabilidade.