Em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, o Festival Canaã Gastronomia celebra a culinária amazônica até o dia 3 de maio. O evento reúne chefs e empreendedores para criar pratos a partir de ingredientes regionais, combinando referências diversas sem perder a identidade local. A cozinha amazônica, antes vista como exótica, agora é reconhecida como expressão de território e cultura.
Cozinha amazônica em destaque
Ingredientes como mandioca, tucupi, jambu e pescado de água doce sempre fizeram parte do cotidiano na região. Nos últimos anos, chefs e pesquisadores têm reposicionado essa gastronomia, valorizando sua técnica e origem. O chef Saulo Jennings, que atua no território do Tapajós, destaca: “A cozinha amazônica deixou de ser curiosidade e passou a ser referência. Minhas escolhas são guiadas pela origem do ingrediente, pelo produtor e pelo respeito ao ciclo da natureza.”
Sabor raiz contemporâneo
O chef Fabio Neres, também presente no festival, apresenta o prato “Raiz de Canaã”, que combina tilápia, tucupi, jambu e farinha d’água. Esses ingredientes comuns do dia a dia são transformados em uma leitura contemporânea da cozinha local. “Canaã é uma cidade feita por muitas origens. Esse prato representa ingredientes simples transformados em algo contemporâneo”, afirma Neres. Para ele, o sabor amazônico vai além do insumo: é cultura, vivência e identidade.
Curadoria e cultura alimentar
O pesquisador Marcos Médici, curador do evento há mais de uma década, explica que a comida deve ser entendida a partir das relações que a constituem. “Não estamos falando só de receita, mas de encontro de famílias, migrações e culturas que se cruzam no mesmo território”, diz. Segundo Médici, a inovação está em olhar com profundidade para o que já existe: “A Amazônia é sofisticada por si só.”
O festival reforça a importância da gastronomia como expressão cultural e identitária, mostrando que a cozinha amazônica pode ser contemporânea sem abandonar suas raízes.



