Wagner Moura na capa da Hollywood Reporter e na corrida pelo primeiro Oscar
Wagner Moura na capa da Hollywood Reporter e na corrida pelo Oscar

A edição de janeiro da prestigiada revista The Hollywood Reporter traz uma capa especial, reunindo sete atores que estão na disputa por sua primeira indicação ao Oscar. Entre os nomes de destaque está o brasileiro Wagner Moura, que posou ao lado de Adam Sandler, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan, Jacob Elordi, Mark Hamill e Jeremy Allen White.

Orgulho da origem e do sotaque brasileiro

Durante uma mesa redonda promovida pela publicação, Wagner Moura falou abertamente sobre sua identidade como imigrante e ator. Ele se declarou representante dos brasileiros que vivem nos Estados Unidos e criticou a pressão para perder o sotaque. "Nunca tive esse sonho de vir até aqui e 'tentar Hollywood'", afirmou o ator.

"O que me faz diferente e talvez especial para os filmes é o fato de que não sou daqui. Nunca entendi atores que tentam perder seus sotaques", continuou Moura. "Sou um ator brasileiro e represento uma quantidade enorme de pessoas que moram aqui neste país [EUA] e falam com sotaque."

Ele ainda revelou que, no início de sua carreira internacional, chegou a ser questionado sobre sua capacidade de interpretar com um sotaque americano padrão. "Eu respondia que não. Primeiro, porque eu não consigo [risos], mas também porque eu acho isso meio errado. Sou um ator brasileiro", completou, reafirmando seu compromisso com suas raízes.

A parceria com Kleber Mendonça Filho nascida da política

Na conversa, Wagner Moura também detalhou o início de sua relação de trabalho e amizade com o cineasta Kleber Mendonça Filho. O primeiro encontro aconteceu no Festival de Cannes, quando Moura lançava "Cidade Baixa" e Kleber atuava como jornalista e crítico de cinema.

"Nos conhecemos e nos demos bem. Quando voltei para o Brasil, vi que ele estava dirigindo curtas e eram muito bons", contou o ator. O ponto de virada foi em 2012, ao assistir "O Som ao Redor". "Pensei 'esse é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Tenho que trabalhar com esse cara'".

No entanto, foi a conjuntura política do Brasil que, segundo Moura, solidificou a parceria. "O Brasil passou por um momento muito ruim entre 2018 e 2022 e quem fosse abertamente contra isso sofria consequências. Nós dois sofremos", disse, referindo-se à censura que seu filme "Marighella" sofreu após estrear no Festival de Berlim em 2019, situação similar à vivida por Kleber.

"Nos unimos e pensamos em como reagir. E aí saiu 'O Agente Secreto', que se passa nos anos 1970 mas conversa com a história recente do Brasil", explicou o ator, conectando a resistência artística ao trabalho cinematográfico.

Reconhecimento internacional em alta

A presença de Wagner Moura na capa da The Hollywood Reporter ao lado de grandes nomes de Hollywood simboliza um momento único em sua carreira. Todos os sete atores da foto têm em comum performances de destaque no cinema em 2025 e a possibilidade de receber sua primeira indicação ao Oscar.

Este reconhecimento reforça a visibilidade do cinema brasileiro no cenário internacional e coloca Moura em um seleto grupo de artistas na temporada de premiações. Sua trajetória, marcada pela defesa de sua identidade e por parcerias artísticas politicamente engajadas, ganha agora um palco global ainda maior.