A notícia da prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro nos Estados Unidos, anunciada em uma ação surpresa pelo ex-presidente Donald Trump, gerou uma onda imediata de reações nas redes sociais. Artistas e celebridades de origem venezuelana expressaram um misto de sentimentos, que vai do alívio e celebração até uma cautela reflexiva sobre os próximos capítulos para o país.
Celebração e agradecimento pela "liberdade"
Entre as vozes mais emocionadas está a da atriz Gabriela Spanic, famosa por interpretar as gêmeas Paola e Paulina Bracho na telenovela A Usurpadora. Em um vídeo compartilhado online, ela não escondeu a comoção ao comemorar o fato. Spanic agradeceu a Deus pela "liberdade da Venezuela", marcando o fim de um período que, em sua visão, trouxe muito sofrimento ao povo.
Em suas publicações no X (antigo Twitter), a artista, que também participou do reality show A Fazenda, foi além. Ela argumentou que desejar a liberdade do seu país não é uma questão de partidarismo político, mas um valor humano universal. Ela citou explicitamente os anos de "censura, crise, repressão e falta do básico para sobreviver" enfrentados pela população venezuelana como justificativa para seu alívio.
Um olhar cauteloso para o futuro político
Nem todas as reações, porém, foram puramente celebratórias. O cantor Danny Ocean, que se apresentou na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz em Oslo em dezembro de 2025 e havia se comprometido publicamente a não se apresentar na Venezuela até o retorno da democracia, adotou um tom mais ponderado.
Em suas redes, Ocean compartilhou um vídeo de Edmundo González Urrutia, que foi candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2024 na Venezuela. No material, Urrutia pede ser reconhecido como o presidente legítimo do país. Ao republicar, o músico endossou a mensagem, mas fez uma ressalva importante: "Este momento constitui um passo importante, mas não suficiente".
Danny Ocean ainda aproveitou para fazer um apelo pela libertação de presos políticos e para que as Forças Armadas venezuelanas respeitem o mandato soberano das urnas, indicando que vê a prisão de Maduro como um evento dentro de um processo maior e ainda em aberto.
Momento de transição e reflexão espiritual
A cantora Elena Rose, que colaborou com Danny Ocean na música Caracas en el 2000, abordou o momento sob uma perspectiva diferente. Em vez de análises políticas, ela compartilhou pedidos de oração, descrevendo a situação atual como um período de "guerra espiritual" e incentivando seus seguidores a "permanecer na luz".
Já o músico Akapellah resumiu o sentimento de incerteza que paira sobre muitos venezuelanos. Em uma publicação no Instagram, ele reconheceu a necessidade da mudança, mas sem ilusões sobre os desafios pela frente. "Um tempo de transição está chegando. Não sabemos o quão difícil será, mas todos sabíamos que precisávamos disso", escreveu ele, capturando a ambivalência entre a esperança e a apreensão.
As reações mostram que, para a diáspora artística venezuelana, a prisão de Nicolás Maduro em 5 de janeiro de 2026 não é um ponto final, mas um episódio dramático em uma longa crise. O alívio pela queda de uma figura associada a anos de dificuldades convive com a prudência sobre o que virá a seguir, em um país que agora enfrenta um futuro incerto e complexo.