O Corinthians enfrenta uma corrida contra o tempo para resolver pendências financeiras e desbloquear a proibição de registrar novos atletas. A principal esperança do clube está na liberação de valores que estão retidos, incluindo metade da premiação pela conquista da Copa do Brasil de 2023.
Estratégia: dinheiro em caixa para negociar
A diretoria corintiana decidiu adotar uma postura firme nas negociações com credores: só vai pagar quando tiver o dinheiro em mãos. Nos últimos meses, a falta de caixa imediato foi o maior obstáculo. Credores chegaram a propor que o clube usasse como garantia recebíveis futuros do contrato de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, firmado com a Liga Forte União (LFU).
No entanto, a gestão rejeitou a ideia, com receio de engessar a administração atual e comprometer as futuras. Por isso, os departamentos jurídico e financeiro optaram por esperar a entrada efetiva de recursos, como premiações do Brasileirão e até um possível empréstimo lastreado nos recebíveis da LFU.
Foi com essa estratégia que o Corinthians conseguiu fechar um acordo pelo meia Matías Rojas. O clube deu uma entrada de R$ 20,5 milhões para evitar que um transfer ban relacionado ao jogador entrasse em vigor no dia 2 de janeiro. Os outros R$ 20,5 milhões serão pagos ainda em janeiro. Esse modelo também permitiu uma barganha por descontos: no caso de Rojas, houve uma redução de aproximadamente R$ 6 milhões em juros e encargos.
O maior entrave: a resistência mexicana
Apesar do sucesso na negociação com Rojas, o problema mais urgente e complexo permanece. O principal transfer ban em vigor resulta de uma dívida com o clube mexicano Santos Laguna, pela contratação do zagueiro Félix Torres no início de 2024. O valor devido hoje gira em torno de R$ 40 milhões.
As conversas com os mexicanos têm sido difíceis. Propostas de quitação de até 90% do valor à vista foram recusadas. Pedidos para diluir o pagamento ou reduzir os encargos, que ultrapassam R$ 7 milhões, também não foram aceitos.
Além disso, há outra preocupação vinda do México: o Corinthians precisa manter em dia as parcelas da renegociação feita com o Toluca, referente à contratação do atacante Pedro Raul. O acordo prevê o pagamento de oito parcelas de cerca de R$ 5 milhões cada, com vencimentos que se estendem até 2028.
Corrida contra o relógio antes do Paulistão
Diante desse cenário, a diretoria admite que a solução só virá com dinheiro disponível no caixa. Por isso, aguarda ansiosamente o desbloqueio de valores retidos pela Caixa Econômica Federal e outras receitas relativas ao Campeonato Brasileiro, que até o fim de dezembro não haviam sido integralmente creditadas.
Internamente, a expectativa é conseguir derrubar o transfer ban antes da estreia no Campeonato Paulista, marcada para 11 de janeiro. Para isso, o presidente Osmar Stábile atua nos bastidores, mantendo contato direto com Carlos Vieira, presidente da Caixa, para tentar liberar os recursos da premiação da Copa do Brasil e destravar outras receitas.
A avaliação dentro do Parque São Jorge é que resolver essas pendências agora é crucial. A medida evitaria uma "herança maldita" para futuras gestões, melhoraria a imagem do clube no mercado e facilitaria negociações futuras. Os departamentos jurídico e financeiro estavam, até a última semana de 2024, finalizando cálculos de juros, multas e possíveis descontos antes de retomar as tratativas definitivas.