Fernanda Abreu comprova que o 'veneno da lata' ainda é devastador em show histórico
A energia contagiante de Fernanda Abreu invadiu o Vivo Rio na noite de 11 de abril de 2026, durante a estreia do espetáculo 'Da lata 30 anos', parte da programação do prestigiado Queremos! Festival. Três décadas após o lançamento do álbum seminal 'Da lata' em 1995, a artista carioca demonstrou, com vigor impressionante, que sua mistura única de samba, funk, R&B e rock permanece tão relevante e eletrizante quanto em sua origem.
Uma celebração multimídia da cultura pop carioca
Este show celebratório representa a culminação de um projeto extenso que, em 2025, homenageou o trigésimo aniversário do disco com um documentário, um livro, uma edição especial em vinil e até um remix inédito da icônica 'Garota sangue bom'. Naturalmente, a estreia nacional ocorreu no Rio de Janeiro, berço da artista e fonte primordial do suingue balanço funk que ela tão habilmente amalgamou em sua obra.
Com uma banda afiadíssima, incluindo nomes como o guitarrista Billy Brandão e o percussionista Jovi Joviniano, além da presença cênica luminosa do vocalista e dançarino Che Leal, Fernanda conduziu o público por uma viagem temporal. A cenografia, enriquecida por projeções de vídeos da época, e os figurinos recriaram fielmente a estética visual dos anos 1990, imersando todos no universo da lata.
O repertório: do suingue contagiante ao 'baile charm'
O roteiro musical foi uma aula de pop brasileiro de pista. Clássicos como 'Babilônia rock' e o hino carioca 'Rio 40 graus' incendiaram o público, que respondeu em coro, especialmente durante o refrão cativante de 'Garota sangue bom'. Momentos de cadência mais lenta, que a artista denominou 'baile charm', trouxeram canções como 'Dois' e 'Um dia não outro sim', demonstrando a versatilidade emocional do trabalho de Fernanda.
A magia do espetáculo foi tão potente que até problemas técnicos de microfonia, que impediram a cantora de ouvir alguns instrumentos com clareza, não foram capazes de ofuscar seu brilho. A energia jovial de Fernanda, que desmente seus 64 anos, e a reverência do público criaram uma atmosfera única de celebração.
Do passado ao presente: a fusão que define uma era
O repertório também fez pontes para outros álbuns da carreira, integrando-os ao conceito do show. Desde 'A noite' e 'Você pra mim', do primeiro álbum solo 'Sla radical dance disco club' (1990), até a apropriação poderosa do rap 'Kátia Flávia, Godiva do Irajá', cada música foi escolhida a dedo para compor um mosaico sonoro coerente.
O grand finale foi preparado com dois pot-pourris emocionantes: um mergulho no universo black Rio dos anos 1970 e uma seleção de funks cariocas. Tudo culminou com a explosiva releitura em ritmo de funk do samba-enredo carnavalesco 'É hoje', originalmente de 1982, que Fernanda incorporou ao álbum 'Da lata' em 1996. A fusão de batidas demonstrou, mais uma vez, como a artista sintetiza a alma musical carioca.
Fernanda Abreu não apenas reviveu um marco da música pop nacional, mas reafirmou sua posição como uma entidade urbana carioca, cuja arte transcende o tempo. O veneno da lata, de fato, continua surtindo efeito devastador, provando que o suingue sangue bom da eterna garota carioca permanece absolutamente necessário e vibrante.



