BTS lança 'Arirang' e consolida papel como embaixadores do orgulho sul-coreano
BTS lança 'Arirang' e reforça orgulho sul-coreano

BTS retorna com 'Arirang' e reforça mensagens políticas e históricas sul-coreanas

Após um hiato de quatro anos, o grupo de k-pop BTS fez um retorno marcante nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, com o lançamento do álbum Arirang. O disco, que conta com catorze faixas, vai pautar uma turnê internacional com mais de 80 shows, incluindo uma passagem pelo Brasil durante três dias em outubro.

O significado profundo de 'Arirang' na cultura coreana

O título Arirang causou imediato burburinho devido ao seu significado cultural. A palavra coreana, sem tradução direta, simboliza saudade, resistência e um amor que sobrevive à distância e ao tempo. Ela está encapsulada em uma antiga música folclórica coreana, entoada por gerações em momentos de dificuldade, como durante a colonização japonesa no início do século XX e a Guerra da Coreia nos anos 1950.

Apesar das diferentes versões que a canção ganhou ao longo das décadas, seu significado sensível e sua mensagem de resiliência permanecem vivos na história da Coreia do Sul. Com este lançamento, o BTS percorre o movimento contrário da expansão global do k-pop, que muitas vezes pasteuriza sua sonoridade para se assemelhar ao pop americano.

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Referências culturais e históricas no álbum

As referências culturais em Arirang vão além do título. Na faixa No.29, os ouvintes podem escutar o som do Sino Sagrado do Rei Songdeok, o Grande, um item histórico nomeado como o 29º Tesouro Nacional da Coreia, resgatando a ancestralidade e o orgulho nacional.

Já na letra de Aliens, há uma citação a Kim Gu, um ativista crucial pela libertação da Coreia do domínio japonês e figura central na independência do país. Essas escolhas demonstram um compromisso profundo com a história e a identidade sul-coreana.

O soft power sul-coreano e a etapa além do sucesso econômico

A escolha do BTS por lançar um disco pop que referencia suas origens não é inédita no mercado global, mas evidencia que o soft power sul-coreano vai além do sucesso econômico na exportação da cultura pop. O grupo alcançou uma etapa adicional: fazer a história e o passado de seu país se tornarem mundialmente conhecidos e reverenciados.

Essa investida patriótica explica a decisão de realizar o primeiro show da turnê na Praça Gwanghwamun, em Seul, um local de importância histórica que foi um grande centro durante a dinastia Joseon, quando foi criado o hangul, o alfabeto coreano.

Envolvimento governamental e transmissão global

O show de estreia, que será transmitido ao vivo pela Netflix no sábado, 21, foi visto pelas autoridades sul-coreanas como um passo grandioso para fortalecer o impacto cultural do país. Chae Hwi-Young, ministro da Cultura, Esportes e Turismo da República da Coreia, afirmou em coletiva de imprensa:

"Vemos isso como uma excelente oportunidade para mostrar a cultura tradicional da Coreia, bem como a própria essência do país, para o mundo. É por isso que o Ministério tem consultado de perto a equipe do BTS para garantir que o show seja um sucesso."

Críticas sociais e maturidade artística

Ser coreano é um tema central na carreira do BTS. Músicas como Silver Spoon e Spine Breaker, de álbuns anteriores, refletem de maneira crítica e sagaz sobre a sociedade coreana. Spine Breaker critica o consumismo enraizado na juventude, enquanto Silver Spoon questiona a meritocracia, reconhecendo as pressões sociais enfrentadas por pessoas menos favorecidas.

Agora, com Arirang, o BTS entra em uma fase mais madura, ávido pelo reconhecimento de seu papel como embaixadores culturais. Todos os olhos e ouvidos estão voltados para o grupo, que consolida sua posição não apenas como ícones do k-pop, mas como representantes do orgulho e da resiliência sul-coreana.

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