A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) manifestou profundo pesar neste sábado (23) pela morte de três voluntários na República Democrática do Congo (RDC), vítimas do atual surto do vírus Ebola que assola o país e a vizinha Uganda. Os voluntários, identificados como Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Viviane, contraíram o vírus em 27 de março enquanto realizavam o manejo de corpos durante uma missão humanitária não relacionada à crise sanitária. Na ocasião, o surto ainda não havia sido identificado, tornando-os algumas das primeiras vítimas conhecidas. Eles faleceram entre os dias 5 e 16 de maio.
OMS eleva nível de risco
Na sexta-feira (22), a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco da epidemia na RDC de 'alto' para 'muito alto', o patamar máximo. O diretor-geral da organização determinou, em 16 de maio de 2026, que o evento constitui uma emergência de saúde pública de importância internacional. 'Esses voluntários perderam suas vidas enquanto serviam suas comunidades com coragem e humanidade', declarou a federação.
Números do surto
De acordo com o último balanço divulgado em 22 de maio pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano, com dados dos Ministérios da Saúde da RDC e de Uganda, um total de 744 casos suspeitos e 83 casos confirmados foram registrados. O informe aponta 176 mortes suspeitas. Entre as vítimas fatais na RDC, estão pelo menos quatro profissionais de saúde.
Cepa Bundibugyo sem vacina
Este surto é causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, identificada por meio de impressões digitais genéticas. Diferentemente de outras variantes, não existe vacina licenciada ou tratamento terapêutico específico para esta cepa. O Ebola causa febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos, é menos contagioso que a Covid-19 ou o sarampo. O controle da doença depende de isolamento precoce e cuidados de suporte.
Obstáculos na resposta sanitária
A resposta sanitária enfrenta obstáculos severos, incluindo conflitos armados ativos nas províncias afetadas e constantes deslocamentos forçados. Essas inseguranças dificultam o trabalho das equipes de vigilância e o transporte de amostras laboratoriais. A alta mobilidade da população e a porosidade das fronteiras aumentam o risco de propagação para outros países da região.
Mobilização internacional
Autoridades de saúde alertam que a ausência de imunizante amplia a ameaça, exigindo uma mobilização internacional rápida para conter o avanço do vírus. Agências internacionais, como o CDC dos Estados Unidos, colaboram com lideranças locais para fortalecer o rastreamento de contatos e a segurança nos portos de entrada. Medidas de triagem de viajantes e restrições de entrada estão sendo implementadas para evitar a exportação de casos.
A IFRC e a Cruz Vermelha da RDC reforçaram o compromisso de continuar apoiando as comunidades afetadas. A organização destacou a coragem e a dedicação extraordinária dos voluntários que atuam em ambientes de alto risco para proteger pessoas vulneráveis.



