Tia Ciata, a mãe preta do samba, será enredo da Paraíso do Tuiuti no Carnaval 2027
Tia Ciata será enredo da Paraíso do Tuiuti no Carnaval 2027

Tia Ciata, a matriarca do samba, será celebrada pela Paraíso do Tuiuti no Carnaval de 2027

A escola de samba Paraíso do Tuiuti anunciou, em 5 de março, que terá como enredo para o Carnaval carioca de 2027 a história de Tia Ciata, nome verdadeiro Hilária Batista de Almeida (1854-1924). A escolha, divulgada poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, ressoa com as lutas pela igualdade feminina, destacando o papel muitas vezes esquecido das mulheres na formação do samba.

Uma vida dedicada à cultura e à resistência

Nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Tia Ciata migrou para o Rio de Janeiro em 1876, aos 22 anos. Na região conhecida como Pequena África, na Praça Onze, ela se estabeleceu como uma líder espiritual e musical, agregando sambistas e difundindo o samba trazido da Bahia, que ganhou novas cadências no Rio.

Quituteira, ialorixá filha de Oxum e sambista por natureza, Ciata transformou sua casa em um ponto de encontro lendário para artistas, em sua maioria negros, vindos das comunidades centrais do Rio. Em uma época em que fazer samba era visto como vadiagem pela polícia racista, ela abriu as portas para a criação e a difusão desse gênero musical.

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O enredo "Ciata – A mãe preta do samba"

O enredo, intitulado "Ciata – A mãe preta do samba", foi escrito por Cláudio Russo e Luiz Antônio Simas e será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. A homenagem chega mais de 100 anos após a morte de Tia Ciata e quase um século depois do primeiro desfile das escolas de samba, realizado em 1932, o que torna o reconhecimento ainda mais significativo.

Como agitadora cultural, Ciata organizava rodas de samba das quais nunca ficava de fora, dominando o partido alto e evoluindo com habilidade no passo do miudinho. Seu legado desafia a narrativa oficial que frequentemente coloca os homens como os primeiros bambas, minimizando ou apagando o papel decisivo das mulheres.

Um tributo à luta e à memória

A imortalização de Tia Ciata no Carnaval é um ato de reverência não apenas no Dia Internacional da Mulher, mas todos os dias, pelo ativismo desbravador que exerceu ao lado dos primeiros bambas do Rio de Janeiro. Sua história é um testemunho da resistência cultural e da força feminina na construção da identidade brasileira.

Este enredo promete não apenas celebrar a vida de uma figura icônica, mas também reacender discussões sobre igualdade, representatividade e o lugar das mulheres negras na história do samba e da cultura popular do Brasil.

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