Mestre Ciça brilha na Viradouro com estratégia inspirada em Ivete Sangalo
A madrugada desta segunda-feira (16) reservou uma das grandes surpresas do Carnaval carioca quando Mestre Ciça apareceu discretamente na comissão de frente da Unidos do Viradouro, antes de assumir seu lugar tradicional no alto do último carro alegórico da escola. A manobra estratégica imediatamente trouxe à memória outra participação inesperada: a de Ivete Sangalo na Acadêmicos do Grande Rio, em 2017. Por trás das duas apresentações está o mesmo casal de coreógrafos: Priscila Mota e Rodrigo Neri.
A dobradinha surpreendente de Ciça na Sapucaí
A apresentação da comissão de frente da Viradouro contou a história de como o menino Moacyr se transformou no renomado Mestre Ciça. A encenação começou com um garoto rodeado de sambistas, recebendo a visita simbólica de um leão que representava a Estácio de Sá, escola onde o futuro mestre descobriu sua paixão pelo samba. Enquanto bailarinos com chapéus dançavam ao redor do pequeno Moacyr, uma dupla vestindo paletós idênticos surgiu calmamente por trás do tripé de apoio e se integrou ao grupo.
O que ninguém nas arquibancadas imaginava era que, de mansinho, era o próprio Mestre Ciça que chegava para a festa. Assim que o leão se despediu do menino, um dos recém-chegados se livrou da fantasia, revelando a primeira grande surpresa da noite: era Ciça em pessoa! O mestre reverenciou sua versão mais jovem e subiu no elemento cenográfico de onde tinha emergido. Um elevador o ergueu então para os aplausos entusiasmados do público.
Operação de guerra para reposicionar o mestre
Quando a comissão de frente alcançou a Praça da Apoteose, a Viradouro iniciou uma verdadeira operação de guerra para reposicionar seu mestre de bateria. Uma moto com batedores aguardava Ciça para levá-lo rapidamente de volta à concentração. Apenas minutos depois, o experiente ritmista já estava novamente em destaque, desta vez subindo no último carro alegórico da escola. De sua posição elevada, Ciça regeu seus quase 300 ritmistas, acompanhado de perto por Juliana Paes, sua rainha de bateria.
Estratégia similar já havia funcionado com Ivete Sangalo
Esta estrutura narrativa não era inédita para os coreógrafos Priscila Mota e Rodrigo Neri. Em 2017, eles haviam utilizado estratégia similar com Ivete Sangalo quando a cantora foi o enredo da Acadêmicos do Grande Rio. Naquela ocasião, Ivete iniciou o desfile integrada à comissão de frente vestida como lavadeira, representando as águas do Rio São Francisco e sua infância em Juazeiro, na Bahia.
No meio da apresentação, a cantora se livrou da fantasia para revelar sua roupa de popstar – transformação que se repetiu ao longo de toda a passagem pela Sapucaí. Ao chegar à dispersão, Ivete foi rapidamente retirada da pista e, de carro, retornou à concentração para encerrar o desfile na última alegoria da escola, ao lado do marido e do filho. A presença da artista na comissão de frente e seu retorno posterior no carro alegórico foram apontados como um dos momentos de maior repercussão daquele desfile.
A repetição desta estratégia bem-sucedida com Mestre Ciça demonstra como os coreógrafos adaptam fórmulas que funcionam, criando momentos memoráveis que misturam surpresa, narrativa e emoção no maior espetáculo da Terra.



