Memorial do Holocausto reabre no Rio com exposição sobre mulheres que enfrentaram o nazismo
Memorial do Holocausto reabre no Rio com homenagem a mulheres

Memorial do Holocausto reabre no Rio com homenagem a mulheres que enfrentaram o nazismo

O Memorial do Holocausto retoma suas atividades ao público na próxima quinta-feira, 12 de março, no Rio de Janeiro, com uma exposição temporária que presta tributo às mulheres que lutaram corajosamente contra o regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Intitulada "Faces da resistência, as mulheres no Holocausto", a mostra é uma iniciativa global do movimento judaico Hashomer Hatzair, fundado em 1913 na Europa, e que já percorreu diversos países como Estados Unidos, México e Argentina.

Mulheres heroínas em destaque

A exposição apresenta a trajetória de 20 personalidades femininas que desempenharam papéis fundamentais durante um dos períodos mais sombrios da história contemporânea. Através de registros históricos, cartas e entrevistas, a mostra busca iluminar as contribuições dessas mulheres, que frequentemente ficaram em segundo plano em narrativas que tradicionalmente destacaram figuras masculinas.

Entre as histórias comoventes apresentadas estão:

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  • Frieda Belinfante (1904-1995), violoncelista e maestrina holandesa, judia e lésbica, que se disfarçava de homem para falsificar documentos e encontrar esconderijos para perseguidos, precisando ela própria se ocultar devido à perseguição às pessoas LGBTQIA+.
  • Haviva (Marta) Reik (1922-1944), eslovaca que atuou como paraquedista atrás das linhas inimigas, sendo capturada e executada durante atividades de resgate.
  • Vitka Kempner-Kovner (1920-2012), polonesa responsável por explodir um trem alemão no primeiro ato de sabotagem do movimento clandestino.
  • Zivia Lubetkin (1914-1976), polonesa que liderou um grupo de combatentes na fuga pelos esgotos do Gueto de Varsóvia em chamas.
  • Friedl Dicker-Brandeis (1898-1944), artista austríaca formada na Bauhaus que estimulava crianças judias no gueto de Theresienstadt a expressarem emoções através da pintura, sendo posteriormente assassinada em Auschwitz.

A lista inclui ainda outras mulheres notáveis como Rachel Auerbakh, Tova Altman, Haika Grossman, Esther Hillesum e Rozka Korchak, cada uma com sua própria história de resistência e sobrevivência.

Espaço educativo e simbólico

Localizado no Parque Yitzhak Rabin, no Mirante do Pasmado em Botafogo, o memorial oferece uma das vistas mais impressionantes da cidade. Inaugurado originalmente em dezembro de 2022 com financiamento de empresas da comunidade judaica, o espaço estava fechado desde o final de 2024.

No último domingo, Dia Internacional da Mulher, o memorial foi palco de um evento simbólico que contou com a presença da sobrevivente do Holocausto Rolande Fischberg, hoje com 86 anos. Sua história está incluída no percurso permanente do espaço.

"Como sobrevivente, faço muitas palestras em escolas e universidades. Mas é diferente quando você convida uma turma para conhecer in loco outras histórias e testemunhos", afirma Fischberg, que nasceu na Bélgica e era recém-nascida durante sua primeira fuga do nazismo. "É muito importante esse lado educativo do memorial, que eu vejo como uma oportunidade para as escolas. Por lei estadual, há a obrigatoriedade do estudo do Holocausto no currículo."

Experiência imersiva em três módulos

A visita ao Memorial do Holocausto proporciona uma experiência profundamente imersiva, dividida em três módulos permanentes:

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  1. A vida antes do Holocausto - Sala colorida que retrata a diversidade cultural e social antes do conflito, incluindo não apenas judeus (presentes em pelo menos 270 cidades europeias), mas também ciganos, deficientes físicos, comunistas e populações LGBTQIA+.
  2. O período do genocídio - Ambiente em preto e branco que representa as transformações sofridas com a ascensão do nazismo. A iluminação é austera, as fotografias monocromáticas e o silêncio só é quebrado quando os visitantes interagem com telas que reproduzem histórias de sobreviventes.
  3. A resiliência e pós-guerra - Foco na capacidade de recuperação humana, sem deixar de abordar o ódio e preconceito que permanecem presentes na sociedade contemporânea.

Entre os itens mais valiosos do acervo permanente está um livreto de rezas judaicas que pertenceu a uma mulher que sobreviveu 495 dias escondida em um buraco na zona rural da Polônia, fugindo dos nazistas.

Funcionamento e importância educativa

O memorial funcionará de quinta a domingo, das 10h às 17h, com entrada gratuita. Seu objetivo principal é preservar a memória histórica e educar as novas gerações sobre as consequências do ódio e da discriminação.

Com a exposição temporária sobre mulheres na resistência, que permanecerá por um mês no espaço recuperado, o Memorial do Holocausto reafirma seu compromisso com a educação e a reflexão sobre um dos capítulos mais trágicos da história moderna, quando onze milhões de pessoas, incluindo seis milhões de judeus, perderam a vida no que é considerado o maior crime contra a humanidade.