Leões da Hortolândia conquista título do carnaval de Jundiaí após empate e sorteio
Leões da Hortolândia vence carnaval de Jundiaí em desempate

A Leões da Hortolândia foi coroada a grande campeã do carnaval de Jundiaí, no interior de São Paulo, garantindo seu sexto título na história da agremiação. Os desfiles das cinco escolas concorrentes ocorreram na tarde de sábado, dia 7, mesmo com a chuva que atingiu a cidade, demonstrando a resiliência e paixão dos participantes.

Disputa acirrada e desempate inusitado

A competição pelo título foi extremamente apertada, culminando em um empate técnico entre a Leões da Hortolândia e a União do Povo. Para definir a campeã, foi necessário um desempate no quesito harmonia, que foi decidido por um sorteio realizado entre os presidentes das agremiações. A Leões da Hortolândia saiu vitoriosa com a nota máxima de 10, enquanto a vice-campeã, União do Povo, ficou com 9,9.

Ordem dos desfiles e programação

Os desfiles tiveram início às 18 horas de sábado, na Cidade Administrativa, localizada em frente ao terminal de ônibus da Vila Hortolândia. A programação foi aberta com a apresentação da corte do carnaval, seguida pelas cinco escolas de samba na seguinte ordem:

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  • União do Povo
  • União da Vila
  • Leões da Hortolândia
  • Arco-Íris
  • Império da Maringá, que encerrou as apresentações

Enredo 'Ubuntu' celebra ancestralidade africana

A escola campeã apostou em um enredo de forte carga ancestral e filosófica para o Carnaval 2026, intitulado “Ubuntu – Pelos Caminhos Abertos por Exu”. O tema mergulha profundamente na tradição africana, celebrando a ideia de que “eu sou porque nós somos”, exaltando valores como coletividade, resistência e ancestralidade.

Detalhes do samba-enredo e narrativa

O samba-enredo, composto por Reinaldo Papum, Neuber André e parceiros, abriu com uma saudação a Exu, orixá dos caminhos e da comunicação, destacando a força da ancestralidade africana, a luta do povo preto e a busca por justiça. Versos como “Ê Laroye, Exú Ê Mo Júbà / Caminho traçado, revela o legado” reforçam a ligação espiritual e cultural que sustentou todo o desfile.

A narrativa da escola foi dividida em três setores distintos:

  1. Setor 1, eu sou porque somos o ancestral: Abriu com a comissão de frente representando as guardiãs dos caminhos de Exu e trouxe o carro abre-alas com búfalos e fogo, símbolos da força de Oyá e da purificação espiritual.
  2. Setor 2, orgulho da pele preta: Valorizou a realeza africana, as matriarcas e a infância como futuro da comunidade, com destaque para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira representando o “Futuro Ubuntu”.
  3. Setor 3, eu sou porque somos resistência: Celebrou a luta coletiva, a justiça de Xangô e a realeza Bantu, reafirmando que a força está na união.

Mensagem de resistência e identidade

O samba também ressaltou a importância da pele preta como símbolo de resistência e identidade, além de destacar a luta contra o racismo e a valorização da cultura afro-brasileira. Letras como “Tá na alma, na cor da pele preta, no som que embala a nossa essência, Ubuntu é resistência, quilombo de emoções” ecoaram na avenida, transmitindo uma mensagem poderosa de empoderamento.

Com cores vermelho e preto e o leão como símbolo, a Leões da Hortolândia levou para a avenida um espetáculo que misturou espiritualidade, ancestralidade e militância cultural. A proposta foi mostrar que o Carnaval pode ser também um espaço de afirmação identitária e de celebração da filosofia africana, inspirando solidariedade e coletividade entre todos os presentes.

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