Daniela Mercury homenageia Afoxé e critica organização do Carnaval de Salvador
Daniela Mercury critica organização do Carnaval em Salvador

Daniela Mercury homenageia Afoxé e critica organização do Carnaval de Salvador

A cantora Daniela Mercury realizou uma emocionante homenagem ao Afoxé Filhos de Gandhy nesta segunda-feira (16), durante seu desfile no circuito Dodô, em Salvador. Antes de iniciar a apresentação, ela reverenciou publicamente o presidente do bloco afro, Gilsoney Oliveira, declarando que ele é o único que a defende na cena carnavalesca da cidade.

Desabafo e críticas ao Concar

Em meio à concentração do trio, na região do Farol da Barra, Daniela expressou sua gratidão aos blocos afros, chamando-os de irmãos, e mencionou a inspiração de Gilberto Gil. O público respondeu com gritos de Rainha e Melhor cantora do Brasil, demonstrando apoio massivo.

No entanto, a artista não poupou críticas ao Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Concar). Ela reclamou que o órgão teria antecipado a saída do trio da banda Psirico, atrapalhando sua apresentação. Eu queria pedir 'Axé Salvador', música que eu celebrei os 40 anos do axé tentando reunir todos nós, mas o Concar não pode tentar passar mais um trio na frente da gente, afirmou Daniela, destacando a intervenção de sua empresária, Malu Verçosa, para garantir seu espaço.

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Briga judicial e história do bloco Crocodilo

Os desabafos ocorreram após uma intensa briga judicial envolvendo Daniela e o Concar. Na quinta-feira (12), a Justiça determinou que o Bloco Crocodilo, liderado pela cantora, voltasse a ser o primeiro a desfilar no circuito Dodô, com base em uma liminar que reconhecia sua atuação ininterrupta desde 1996.

Porém, no sábado (14), o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) suspendeu essa decisão, restabelecendo a programação oficial. O desembargador responsável entendeu que não havia comprovação de um direito automático à primeira posição.

Em resposta, Daniela rebateu a decisão em uma coletiva de imprensa na noite de domingo (15). Ela argumentou que a organização atual desrespeita a história do circuito, lembrando que, em 1996, enfrentou uma hierarquia rígida e buscou um novo espaço para desfilar. A gente tem uma história linda, muito clara, toda noticiada, documentada. [...] A única que ficou de lá até aqui desfilando, 30 anos, apesar de tudo, fui eu!, questionou a artista, expressando frustração com a falta de clareza nos critérios de ordenação.

Posicionamento da empresária e busca por diálogo

Malu Verçosa, esposa e empresária de Daniela, reforçou as críticas, afirmando que entrar com ação judicial foi o último recurso. Ela destacou que o bloco Crocodilo vem sendo empurrado para o fim da fila ao longo dos anos, sem critérios transparentes que justifiquem a ordem dos trios.

Cada ano a gente é empurrado para mais tarde, então qual é o critério? Se não é a antiguidade, não é a presença no circuito, qual é?, indagou Malu, ressaltando os impactos financeiros e midiáticos dessa organização. A empresária também abriu espaço para diálogo, sugerindo que acordos com outros artistas, como Olodum e Ivete Sangalo, são possíveis, desde que se reconheça o direito histórico do bloco Crocodilo.

O g1 tentou contato com o Concar para esclarecer como funciona a organização dos blocos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A situação continua em atualização, refletindo as tensões e tradições que marcam o Carnaval de Salvador.

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