Rafaela Silva sinaliza Los Angeles como possível última Olimpíada e planeja futuro como treinadora
Rafaela Silva pode ter última Olimpíada em Los Angeles

Judoca brasileira projeta Los Angeles como possível despedida olímpica e retorna às origens

A judoca Rafaela Silva, uma das maiores atletas do Brasil, ainda não definiu uma data exata para sua aposentadoria dos tatames, mas indica que os Jogos Olímpicos de Los Angeles podem marcar sua última participação no maior evento esportivo do mundo. Aos 33 anos, a medalhista de ouro na Rio-2016 e bronze por equipes em Paris-2024 brinca que foge das perguntas sobre o tema, mas admite que o ciclo olímpico atual pode ser o final de sua trajetória como competidora.

Retorno emocional ao Instituto Reação

O fato de considerar Los Angeles como possível despedida pesou significativamente em sua decisão de deixar o Flamengo e retornar ao Instituto Reação, organização onde deu seus primeiros passos no judô. Rafaela foi a estrela do evento de inauguração da nova área de treino da unidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, demonstrando seu vínculo emocional com o projeto social.

"Hoje, aos 33 anos, acredito que Los Angeles pode ser minha última Olimpíada. Eu devia isso ao Reação, por tudo que o Reação fez por mim, por tudo que conquistei, a pessoa e a atleta que me tornei", declarou a judoca nesta quarta-feira (25). "Se esse for, de fato, meu último ciclo olímpico, seria pela minha casa, por quem me formou, para inspirar novas gerações."

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Transição para carreira de treinadora

Enquanto planeja seu futuro pós-competição, Rafaela Silva já admite o desejo de se tornar treinadora, caminho que sua irmã, Raquel Silva, já segue à frente da equipe técnica feminina do Reação. A judoca revela que já foi convidada para integrar comissões técnicas e reconhece suas habilidades estratégicas.

"Falo que pode ser minha última Olimpíada por causa da idade, as pessoas sempre focam em números. Mas quando vou me aposentar, de fato, não sei exatamente", explicou. "Enquanto eu estiver conseguindo entregar um judô que sei que posso, estarei treinando e competindo. Mas já fui chamada para integrar comissão técnica, dizem que eu tenho uma visão muito boa, estratégia boa na parte competitiva. Então, provavelmente, quando parar de competir, devo seguir, novamente, os passos da minha irmã para compartilhar o que o judô me deu para transformar a vida de outras pessoas."

Legado e objetivos futuros

Com um currículo impressionante que inclui medalha de ouro na Rio-2016, bronze por equipes em Paris-2024 e diversos pódios em Mundiais e Pan-Americanos, Rafaela fala em deixar um legado na modalidade além das conquistas pessoais.

"Tenho, sim, o desejo de, junto à minha irmã, compartilhar o que o esporte nos deu, o que nos proporcionou", afirmou. "Não adianta conseguirmos transformar a nossa vida e guardarmos o 'segredo'. Se pudermos fazer algo para mudar a vida das próximas gerações, é o que vamos fazer no tatame. Minha irmã está à frente da equipe técnica feminina e pretendo estar nessa função [de técnica] também."

Mudança de categoria e adaptação

A atleta também comentou sobre sua transição da categoria leve (até 57 kg) para o meio-médio (até 63 kg), um desafio significativo em sua preparação para o ciclo olímpico atual.

"Está sendo um momento diferente para mim, estou chegando na categoria, me reencontrando", disse. "É um desafio grande, tem muita atleta que ainda não segurei no quimono em treino ou competição. Estou me adaptando, tem atletas que ainda não voltaram a competir após Paris. Mas estou me sentindo, estou me achando e isso me dá mais confiança em visar a uma próxima medalha em Los Angeles."

Motivação renovada

Questionada sobre o que ainda a motiva após tantas conquistas, Rafaela Silva foi enfática sobre sua paixão pelo esporte.

"As pessoas perguntam: 'você já ganhou Mundial, já ganhou Olimpíadas, o que ainda faz no judô?'", relatou. "Enquanto eu ainda tiver felicidade dentro do tatame, é o que vou fazer, vou competir, representando o Brasil. Agora consegui recarregar essa energia, estou me sentindo feliz, em casa. Foi esse o motivo da minha volta."

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O retorno ao Reação também fortalece sua conexão familiar e técnica, já que sua irmã comanda a equipe feminina da instituição, criando uma sinergia com sua treinadora da seleção brasileira.