Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo, morre aos 18 anos após atropelamento no Rio
Promessa do taekwondo morre aos 18 anos após atropelamento no Rio

Morte de jovem promessa do taekwondo comove o mundo esportivo

O esporte brasileiro está em luto com o falecimento de Cauã Batista Gomes, uma das grandes promessas do taekwondo nacional, aos apenas 18 anos de idade. O jovem atleta morreu nesta quarta-feira, dia 25, na cidade do Rio de Janeiro, após passar uma semana internado no Hospital Municipal Miguel Couto. Cauã sofreu um grave atropelamento por um veículo e, apesar dos esforços médicos, não resistiu aos ferimentos.

Exemplo dentro e fora do dojang

Reconhecido por sua dedicação e caráter, Cauã era visto como um verdadeiro exemplo tanto dentro quanto fora do ambiente de treinamento. A Soares Team, equipe da qual fazia parte, emitiu uma nota emocionada descrevendo-o como “um atleta admirável, competidor incansável e um verdadeiro lutador da vida”. Integrante do Centro de Treinamento Soares Team há nove anos, o jovem representava o estado do Rio de Janeiro e estava oficialmente inscrito para disputar a Seletiva Aberta Nacional, marcada para esta quinta-feira, dia 26.

Competindo na categoria adulto até 63 kg, Cauã demonstrava um talento nato e uma paixão incomum pela arte marcial. Seu treinador, Luan Dias, destacou que o atleta era autodidata e extremamente intenso durante os treinos. “Ele aprendia muita coisa sozinho, assistindo a vídeos, e aplicava na aula. Fez parte do meu exame de mestre e me deu uma bela bicuda nas costas, me jogando para fora da sala”, relembrou Luan com um tom bem-humorado, demonstrando a relação próxima entre ambos.

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Perseverança e amor pela vida

Luan Dias também ressaltou o profundo amor que Cauã demonstrava pela existência. “Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Amava a vida no simples. Era intenso em tudo o que se propunha a fazer”, afirmou o treinador. Essa intensidade, segundo ele, era tanto a maior virtude do atleta quanto um desafio em competições, onde Cauã sempre buscava realizar movimentos extraordinários.

A trajetória do jovem foi marcada por uma perseverança notável. O instrutor revelou que Cauã passou aproximadamente dez anos sem vencer uma luta oficial, mas nunca abandonou o esporte. “Poderia ter largado, mas a paixão pela arte marcial falou mais alto. Não era o atleta mais famoso do Rio nem do Brasil, mas era conhecido por todos do meio pela persistência, pela insistência e pelo respeito à arte marcial”, explicou Luan.

Estilo único e conquistas recentes

Gustavo Silveira, amigo de Cauã e mestre do Time Dragão Branco, descreveu o estilo peculiar do jovem lutador. “Ele era explosivo, tinha um jeito único, com movimentos até acrobáticos. Ele fazia o que dava na cabeça dele. Era talentoso demais, tanto que chamou a atenção da seleção brasileira”, contou. Um episódio emblemático ocorreu quando Cauã quebrou o nariz durante uma luta contra um aluno de Gustavo e, mesmo lesionado, insistiu em continuar o combate.

De acordo com a Confederação Brasileira de Taekwondo, Cauã se destacava pela dedicação, respeito e paixão pela modalidade. Em 2023, sagrou-se campeão da Copa Thokinim, em Cachoeiras de Macacu. Já em 2024, conquistou a medalha de bronze no ranking da categoria júnior do Rio de Janeiro, para atletas abaixo dos 63 kg, consolidando seu crescimento no cenário esportivo.

Últimos momentos e homenagens emocionadas

Luan Dias compartilhou detalhes do último treino que realizaram juntos, na véspera do trágico acidente. “Um dia antes do acidente, levei ele para malhar comigo porque estava fazendo os exercícios todos errados. Treinamos a série dele, depois a minha, e depois ele ainda fez duas aulas seguidas de taekwondo. Foram cinco horas de treino direto”, recordou. Ao final, Cauã perguntou animado se poderia malhar sempre com o treinador, demonstrando sua vontade incessante de evoluir.

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Nas redes sociais, a namorada do atleta, Babi Freitas, prestou uma comovente homenagem. “Dói aceitar que não vou mais te ver chegar, que não vou mais ouvir você dizer que eu sou forte quando eu mesma não acredito nisso. Mas, mesmo com essa ausência que pesa no peito, eu carrego você comigo em cada memória, em cada aprendizado, em cada parte de mim que você ajudou a construir”, escreveu. Até o momento, não há informações divulgadas sobre a realização do velório de Cauã Batista Gomes.