Oscar Schmidt: da vitória histórica à despedida, os momentos em que o maior cestinha chorou
Com a morte de Oscar Schmidt nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em São Paulo, episódios de forte emoção do ex-jogador de basquete voltaram à memória dos brasileiros. Ao longo da carreira, o maior cestinha da história do basquete protagonizou cenas marcadas por lágrimas, como após a vitória sobre os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, e na despedida da seleção brasileira, em 1996. Relembre esses momentos que definiram sua trajetória e tocaram gerações de fãs.
Vitória do Brasil em 1987: um marco histórico
Era 23 de agosto de 1987. Pela primeira vez, a seleção masculina dos Estados Unidos foi derrotada em casa. E o algoz foi o Brasil, que venceu os norte-americanos por 120 a 115 na decisão do ouro dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis. A seleção converteu 10 bolas de três pontos, o que, na época, era considerado fora do comum. Após a vitória histórica, Oscar Schmidt virou uma lenda. E ele não conteve a emoção: deitou no chão da quadra chorando e gritando. Uma imagem que marcou a época e atravessou gerações, simbolizando o triunfo do basquete brasileiro em solo estrangeiro.
Despedida da seleção brasileira em 1996
Quase 10 anos depois, outra cena marcou os fãs. Era 2 de agosto de 1996, e a seleção brasileira masculina de basquete encerrava seu capítulo com o ala Oscar Schmidt na Olimpíada de Atlanta. Em seu último jogo, o Brasil perdeu para a Grécia por 91 a 72. No fim da partida, Rogério Klafke assumiu o posto de Oscar. No banco, o jogador passou os cinco minutos finais com as lágrimas escorrendo. "É um dia muito triste para mim. Foram 20 anos de seleção, com amor, dedicação e humildade. Foi o time em que mais gostei de jogar", disse Oscar, na época, ao jornal "Folha de S.Paulo" após voltar do vestiário, para onde havia se retirado chorando muito.
Em entrevista à TV Globo, ele se emocionou ao falar da despedida da seleção e fez agradecimentos. "Foi o time que tive mais emoção de jogar na vida. Não tem nada que vá fazer que eu tenha as mesmas emoções que tinha na seleção. Vou continuar jogando nos clubes, que é a única coisa da vida que sei fazer, mas na seleção chegou o fim. Gostaria de aproveitar esse momento e agradecer minha família, que deu educação e formação que tive, minha esposa, que esteve em todos os momentos da minha vida, difíceis e alegres, aos meus técnicos e todos meus companheiros que tanto me ajudaram a ter grandes conquistas, a superar momentos negativos", disse.
Morte e legado de Oscar Schmidt
Nesta sexta, após passar mal, Oscar foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde morava, em Alphaville. Segundo a Prefeitura de Santana de Parnaíba, "foi encaminhado ao hospital pelo serviço de resgate, já em parada cardiorrespiratória (PCR), chegando à unidade sem vida". A causa da morte não foi divulgada. Em nota, a família do atleta lamentou a morte e lembrou sua trajetória. O velório e o enterro serão restritos à família e amigos. Oscar deixa a esposa e dois filhos.
Em 2011, foi diagnosticado com câncer no cérebro. Passou por cirurgias, mas a doença persistiu. Em 2022, afirmou que havia interrompido por conta própria o tratamento de quimioterapia. Após repercussão, esclareceu a situação e anunciou que estava curado. Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte, e é reconhecido como um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos no Brasil e no mundo. Conhecido como “Mão Santa” e eterno camisa 14 da seleção brasileira, foi um dos principais responsáveis por popularizar o basquete no país.
Em cinco participações olímpicas, Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996, marcou 1.093 pontos e se tornou o maior cestinha da história dos Jogos. Oscar foi considerado um dos melhores da história, integrando também o Hall da Fama da Federação Internacional da modalidade (Fiba) e o Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado oficialmente na liga americana. No dia 8 de abril, Oscar foi um dos homenageados pelo Comitê Olímpico do Brasil na cerimônia do Hall da Fama, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Segundo o jornal "O Globo", o ídolo não esteve presente no evento porque se recuperava de uma cirurgia.
Com isso, foi representado por seu filho Felipe Schmidt, que falou sobre a emoção de ter o pai celebrado pelo COB. "A gente está honradíssimo de estar aqui nesse momento, porque a gente sabe de tudo o que o meu pai se dedicou ao basquete, principalmente à seleção brasileira e ao COB, porque uma das suas maiores felicidades era defender o Brasil nas Olimpíadas. Estar aqui para receber essa homenagem é o último capítulo de uma carreira cheia de vitórias", disse Felipe Schmidt. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) lamentou o falecimento de Oscar, destacando seu legado como uma lenda do Movimento Olímpico do Brasil.



