Acordo de R$ 2 milhões não encerra processos criminais por emboscada fatal
A Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, formalizou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor de 2 milhões de reais com o Ministério Público de São Paulo. O acordo é uma resposta direta à violenta emboscada ocorrida em outubro de 2024 contra torcedores do Cruzeiro, que resultou na morte de um adepto do time mineiro. É crucial destacar que este acordo é estritamente de natureza cível e não extingue os processos criminais em andamento contra quarenta e três indivíduos envolvidos no episódio, alguns dos quais já receberam condenações em primeira instância.
Detalhes do acordo e obrigações assumidas pela torcida
O TAC, homologado em 10 de fevereiro e divulgado publicamente nesta terça-feira, 3 de março, estabelece que o montante de 2 milhões de reais será integralmente destinado ao pagamento de danos materiais e morais às vítimas, incluindo a família do torcedor falecido. Além da indenização financeira, a Mancha Alviverde assumiu compromissos significativos perante as autoridades. A torcida organizada se obriga a fornecer uma lista completa com nomes e dados pessoais de seus membros, bem como os itinerários de todas as viagens que forem realizadas no futuro.
Outra exigência importante é a criação de um sistema interno de punição e expulsão para quaisquer associados que forem suspeitos de praticar atos de violência. Estas medidas visam aumentar a transparência e a responsabilização dentro da organização, embora não substituam as ações penais em curso.
Relembrando a tragédia na rodovia Fernão Dias
A emboscada que deu origem a este acordo aconteceu na madrugada do dia 27 de outubro de 2024, no município de Mairiporã, na Grande São Paulo. Um grupo de torcedores da Mancha Alviverde interceptou um ônibus da Máfia Azul, torcida organizada do Cruzeiro, que retornava do Paraná pela rodovia Fernão Dias. Os agressores não apenas atacaram o veículo, mas também atearam fogo ao ônibus, causando um cenário de caos e destruição.
O saldo da violência foi trágico: dezessete pessoas ficaram feridas e uma perdeu a vida. A vítima fatal foi identificada como José Victor Miranda, um motoboy de trinta anos, natural de Minas Gerais, que deixou um filho de apenas dez anos. A brutalidade do ataque chocou o país e desencadeou uma intensa investigação policial.
Investigações e andamento dos processos criminais
A Polícia Civil de São Paulo conduziu pelo menos duas operações de grande porte para localizar e prender todos os envolvidos na emboscada. Em uma dessas ações, o então presidente da Mancha Alviverde, Jorge Luiz Sampaio, optou por se entregar voluntariamente às autoridades. A segunda força-tarefa mobilizou impressionantes sessenta e quatro agentes policiais, demonstrando a seriedade com que o caso foi tratado.
Os quarenta e três torcedores identificados foram formalmente indiciados e agora enfrentam acusações do Ministério Público por homicídio consumado e tentativa de homicídio qualificado. Enquanto o acordo civil busca reparar parte dos danos causados, a justiça criminal segue seu curso, com o objetivo de responsabilizar penalmente cada um dos acusados por seus atos naquela fatídica madrugada.



