Luis Enrique minimiza acusação de racismo contra Vini Jr. enquanto outros técnicos europeus apoiam
Luis Enrique minimiza racismo contra Vini Jr.; outros técnicos apoiam

Luis Enrique minimiza acusação de racismo contra Vinícius Junior

O técnico espanhol Luis Enrique, comandante do Paris Saint-Germain (PSG), gerou intensa polêmica ao minimizar publicamente a acusação de racismo feita pelo atacante brasileiro Vinícius Junior, do Real Madrid. Em entrevista coletiva realizada na sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, o treinador campeão da Champions League respondeu com aparente desdém quando questionado sobre o caso pela jornalista brasileira Clara Albuquerque, da TNT Sports.

"O que eu posso dizer sobre esse assunto... não é nada importante", declarou Enrique de forma curta e direta, recusando-se a se aprofundar no tema durante a coletiva pré-jogo contra o Lens, líder do campeonato francês.

Posição divergente de outros técnicos europeus

Enquanto Luis Enrique optou por não dar relevância ao assunto, outros importantes técnicos do futebol europeu adotaram postura completamente oposta, demonstrando solidariedade ao jogador brasileiro e cobrando ações mais efetivas contra o racismo no esporte.

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Liam Rosenior, técnico do Chelsea, manifestou apoio inequívoco a Vini Jr. durante coletiva na quinta-feira, 19 de fevereiro: "Qualquer forma de racismo na sociedade é inaceitável. Quando você vê um jogador chateado como Vinicius Junior ficou, normalmente ele tem um motivo". O treinador inglês compartilhou ainda sua própria experiência como vítima de abuso racial, afirmando que "ser julgado por algo de que você deveria se orgulhar é a pior sensação que se pode imaginar".

Arne Slot, comandante do Liverpool, foi além ao cobrar medidas mais rigorosas: "No geral, nunca podemos fazer o suficiente. Sempre podemos fazer mais, temos que tentar para que isso nunca ocorra novamente. Acredito que nós, como comunidade do futebol, precisamos fazer mais do que a sociedade faz". O holandês destacou a importância de seguir os protocolos antirracismo durante as partidas.

Kompany critica Mourinho e defende Vini Jr.

Vincent Kompany, técnico do Bayern de Munique, também se posicionou firmemente em defesa do atacante brasileiro durante coletiva na sexta-feira. O belga destacou a autenticidade da reação emocional de Vinícius Junior durante o incidente: "Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida. Dá para ver que foi uma reação emocional".

Kompany foi particularmente crítico em relação à postura de José Mourinho, técnico do Benfica, após o ocorrido: "Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança".

O treinador do Bayern questionou ainda o argumento utilizado por Mourinho de que o Benfica não poderia ser racista por ter tido Eusébio como seu maior jogador: "Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu?".

Relembrando o caso que gerou a polêmica

O incidente ocorreu durante partida válida pelos playoffs da Champions League entre Benfica e Real Madrid, disputada no Estádio da Luz, em Lisboa. Aos 5 minutos do segundo tempo, Vinícius Junior marcou o único gol da partida e comemorou dançando em frente à bandeira de escanteio da equipe portuguesa, recebendo um cartão amarelo bastante questionado.

Pouco depois do reinício do jogo, o brasileiro conversou com o adversário Prestianni, que cobriu a boca com a camisa para dizer algo. Imediatamente, Vini Jr. correu em direção ao árbitro, acionando o protocolo antirracismo. Em diferentes ângulos das imagens, o atacante aparece dizendo "mono" (macaco em espanhol) ao juiz, apontando para o oponente argentino.

O jogo ficou paralisado por aproximadamente dez minutos antes de ser retomado normalmente. Em entrevistas pós-jogo, Kylian Mbappé, companheiro de Vini Jr. no Real Madrid, confirmou a versão do brasileiro: "Depois, o número 25 do Benfica, não quero dizer seu nome, não merece, começou a falar mal. Não é aceitável, mas aconteceu e vai acontecer. Mas depois ele levantou sua camisa para dizer que Vini é um macaco cinco vezes, eu ouvi isso".

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Investigação em andamento e posicionamentos oficiais

O Benfica reagiu publicando em suas redes sociais um vídeo do momento com a legenda: "Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram". O clube português manifestou apoio ao seu jogador Prestianni, que negou as acusações em comunicado próprio.

Na quarta-feira, 18 de fevereiro, a UEFA anunciou a abertura de investigação formal para apurar possíveis violações do seu Código de Disciplina relacionadas a alegações de comportamento discriminatório durante a partida. Um inspetor foi designado para o caso, com mais informações a serem divulgadas ao longo do processo investigativo.

O Real Madrid, por sua vez, emitiu comunicado oficial informando que forneceu todas as provas disponíveis à entidade máxima do futebol europeu e colabora integralmente com as investigações em andamento.