Jogos de Inverno de Milão-Cortina: Moda e Esporte se Fundem em Espetáculo de Alta-Costura
Jogos de Inverno: Moda e Esporte em Espetáculo de Alta-Costura

Jogos de Inverno de Milão-Cortina: Moda e Esporte se Fundem em Espetáculo de Alta-Costura

O magnetismo do brasileiro Lucas Pinheiro Braathen, campeão olímpico no slalom gigante do esqui alpino nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, aqueceu a neve europeia e colocou a competição no centro das conversas, mesmo durante o Carnaval. Filho de pai norueguês e mãe brasileira, seu brilho dourado deve ser celebrado pelo desempenho esportivo, mas também revela um fenômeno inesperado: a beleza estética do torneio, realizado próximo a uma das capitais mundiais da moda.

Moda como Linguagem Estética nos Jogos

A festa inaugural no estádio San Siro deu o tom. A delegação italiana homenageou Giorgio Armani, falecido em setembro do ano passado, com moços e moças vestindo peças da Emporio Armani. A top model Vittoria Ceretti surgiu como porta-bandeira em um vestido Armani Privé sob medida. Os americanos optaram por Ralph Lauren, com uma linha que combina competição esportiva e elegância pós-treino. O Brasil, por sua vez, convocou a grife ítalo-francesa Moncler para vestir a equipe de esqui alpino, com designs do estilista Oskar Metsavaht, incluindo o de Pinheiro, agora comparado a um Gabriel Medina dos flocos.

Segundo a designer Sandra Anselmi, da marca brasileira Anselmi, especialista em roupas para baixas temperaturas, essas peças não são apenas técnicas, mas funcionam como linguagem estética que protege e envolve os espectadores. Um exemplo marcante foi o terno com gravata ao estilo dos anos 1920 do prodígio canadense Stephen Gogolev, que, apesar de parecer desconfortável, uniu tecidos tecnológicos simulando seda, veludo e couro com acabamento de alta-costura, recebendo aplausos.

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Diversidade Cultural e Declarações de Estilo

Os Jogos de Inverno atuam como um laboratório vivo de experimentações, com camadas de informações que vão além do esporte. O Reino Unido aliou-se à Adidas e ao costureiro Ben Sherman para reverenciar a tradição dos suéteres com tricô, enquanto a Suécia entrou com a Uniqlo em silhuetas minimalistas. A moda, nesse contexto, não é mero acessório, mas um retrato dos humores da civilização.

Um momento de comoção ocorreu com a dupla de esquiadores do Haiti na cerimônia de abertura. Vivendo na diáspora de uma nação destruída, eles usaram um design inspirado nas pinturas de um artista naïf, que originalmente incluía o líder revolucionário Toussaint Louverture em um cavalo vermelho. O COI autorizou apenas o animal na estampa, mas mesmo assim, foi uma declaração cultural poderosa, reforçando que o vestir é uma forma de expressão.

Na Itália, até o fim das provas em 22 de fevereiro, o frio está quente, quentíssimo, com a moda e o esporte criando um espetáculo inesquecível que transcende as pistas de neve.

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