Investigadores apontam feminicídio e duplo homicídio no caso da família desaparecida
A investigação sobre o desaparecimento da família Aguiar, há mais de dois meses em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, está entrando na reta final, segundo a Polícia Civil. O único suspeito, Cristiano Domingues Francisco, policial militar e ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro e teria feito publicações falsas nas redes sociais da vítima para despistar as autoridades.
Postagens falsas e tentativa de ludibriar investigação
Conforme o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, Cristiano utilizou o celular de Silvana para postar mensagens afirmando que ela havia sofrido um acidente de trânsito em Gramado, na Serra do Rio Grande do Sul, quando retornava da cidade. "Como concluímos que ele estava com o telefone celular, a gente já pode afirmar que ele realizou essas postagens como uma forma de ludibriar, de causar essa confusão com relação ao desaparecimento da família", explica Spier. O objetivo seria fazer com que todos acreditassem que Silvana estava viva e bem, quando, na realidade, estaria morta.
Além de Silvana, também desapareceram seus pais, Isail Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Aguiar, de 70 anos. A principal linha de investigação aponta para feminicídio no caso de Silvana, duplo homicídio dos pais e ocultação de cadáver. Silvana já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026.
Celular encontrado e perícias reveladoras
O celular de Silvana foi localizado no início de fevereiro em um terreno baldio próximo ao mercado da família Aguiar, com a câmera coberta por fita isolante. A perícia mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, contradizendo as postagens falsas. "Temos uma quantidade grande de elementos, de indícios, que apontam para a prática do crime pelo suspeito. Já conseguimos realizar uma cronologia dos acontecimentos do dia 24 e do dia 25", comenta o delegado Spier.
O álibi de Cristiano foi descartado pela polícia. Ele havia alegado que jantou com um amigo e jogou videogame na noite do desaparecimento de Silvana, mas as investigações comprovaram que não esteve nos locais mencionados. "Nós conseguimos provar que ele não esteve nos locais onde ele afirma que esteve. E além disso, ainda tem outras questões com relação a precisão de horários em que ele não conseguiu comprovar onde estava no momento", destaca Spier.
Motivação do crime e buscas contínuas
A motivação do crime estaria relacionada a desavenças na criação do filho de 9 anos que Cristiano tem com Silvana. A mãe havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia orientações sobre restrições alimentares da criança e estaria planejando entrar com um processo judicial sobre a guarda. "A gente tem já na investigação formalizado que a motivação ela passa ali pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho", afirma o delegado.
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar possuía diversos bens, incluindo imóveis para aluguel. Com a morte de Silvana e seus pais, esses bens poderiam ser herdados pelo neto. As contas bancárias das vítimas não tiveram movimentação desde o desaparecimento, levando a polícia a praticamente descartar a possibilidade de encontrarem a família com vida.
Equipes do Corpo de Bombeiro Militar e da polícia seguem realizando buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoeirinha, utilizando cães farejadores. O inquérito está na fase final e a polícia deve pedir a prisão preventiva de Cristiano nas próximas semanas. A defesa do suspeito, representada pelo advogado Jeverson Barcellos, não se manifestou até o momento.



