Irã negocia com Fifa para jogar Copa do Mundo apenas no México por questões de segurança
Irã quer jogar Copa 2026 só no México por segurança

Irã busca acordo com Fifa para jogar Copa 2026 apenas no México

A seleção do Irã, já classificada para a Copa do Mundo de 2026, está em negociações com a Fifa para disputar todas as suas partidas no México, recusando-se a atuar nos Estados Unidos. O pedido foi confirmado pelo presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, e ocorre quase uma semana após o anúncio inicial de boicote ao torneio.

Questões de segurança e vistos motivam decisão

Segundo o sorteio dos grupos da Copa, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, a equipe iraniana deveria jogar suas partidas da primeira fase em Los Angeles e Seattle, com campo-base no estado do Arizona. No entanto, questões de segurança relacionadas ao recente conflito com os Estados Unidos e Israel, além de impasses com vistos após a morte do líder supremo Ali Khamenei, são os principais motivos da recusa.

"Como Trump deixou claro que não pode garantir a segurança da seleção nacional iraniana, certamente não iremos aos Estados Unidos", declarou Mehdi Taj, reforçando a posição do país.

Ministro dos Esportes confirma desistência inicial

Na última semana, o Irã havia afirmado que não participaria do Mundial, conforme declarado pelo ministro dos Esportes e Juventude, Ahmad Donyamali. Ele citou o conflito militar com os Estados Unidos e Israel, assim como sérios impasses envolvendo vistos e questões culturais, como causas definitivas para a ausência.

Donyamali enfatizou que as recentes tensões no Oriente Médio, que se agravaram severamente, tornaram a participação iraniana "absolutamente impossível". O ministro destacou que a nação enfrentou operações militares que resultaram em milhares de mortes na região.

"Após o governo corrupto ter matado o nosso líder, não há condições que nos permitam participar na Copa do Mundo", declarou o ministro, referindo-se ao ataque conjunto dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.

Obstáculos logísticos e imigratórios

Além do impacto direto da guerra, a diplomacia esportiva esbarrou em graves obstáculos logísticos e imigratórios impostos pelas autoridades norte-americanas. Dirigentes do futebol iraniano alertaram que diversos jogadores e membros da comissão técnica poderiam ter a entrada nos Estados Unidos barrada.

O pretexto seria a prestação de serviço militar obrigatório no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), organização militar criticada e visada por Washington. Reforçando essa preocupação, o próprio presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, e outros cartolas de alto escalão tiveram seus vistos negados recentemente para comparecer ao sorteio da Copa do Mundo.

Diante disso, Donyamali criticou duramente a postura americana, acusando o país anfitrião de agir com "má-fé". As negociações com a Fifa continuam em andamento, com o Irã buscando garantir que todos os seus jogos sejam realizados em solo mexicano, evitando completamente o território dos Estados Unidos.