Histórico de desistências na Copa do Mundo: Irã pode ser mais um caso
Se o Irã decidir não disputar a Copa do Mundo, seguindo os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país do Oriente Médio, não será o primeiro caso na história do torneio. Desde sua primeira edição, em 1930, no Uruguai, a Copa convive com ausências por questões logísticas, políticas ou conflitos armados.
Primeiros casos geopolíticos e recentes
Lycio Vellozo Ribas, autor de O livro de ouro das Copas, lembra que, nas primeiras edições, muitas seleções europeias abdicaram de participar devido às longas viagens para a América do Sul. O primeiro caso envolvendo questões geopolíticas ocorreu em 1938, quando a Áustria, com vaga confirmada na França, foi anexada pela Alemanha nazista. Alguns jogadores austríacos se juntaram à seleção germânica, e a vaga não foi preenchida, resultando em 15 seleções na disputa.
Mais recentemente, a Rússia foi impedida de participar das Eliminatórias europeias e da Copa no Catar devido à invasão da Ucrânia pelo exército de Vladimir Putin. Diferentemente de outras edições, a Fifa certamente preencherá a vaga se o Irã desistir. Uma opção viável seria o Iraque, na repescagem intercontinental, herdar a vaga, com os Emirados Árabes Unidos assumindo seu lugar na disputa.
Principais desistências em Copas do Mundo
1930: A primeira Copa, no Uruguai, teve seleções convidadas sem Eliminatórias. O Egito, representante da África, não conseguiu comparecer por problemas logísticos após uma tempestade, resultando em 13 seleções.
1934: O Uruguai, campeão da edição inaugural, boicotou a Copa na Itália em retaliação pela recusa de seleções europeias em viajar à América do Sul quatro anos antes. Foram 16 seleções, com Brasil e Argentina como representantes sul-americanos.
1938: Argentina e Uruguai não participaram da Copa na França em protesto pela opção da Fifa de organizar o torneio pela segunda vez consecutiva na Europa. A Áustria, classificada, foi anexada pela Alemanha, com 15 seleções na disputa.
1950: A Copa no Brasil teve apenas 13 seleções. A Índia desistiu por falta de verba e prioridade aos Jogos Olímpicos de 1952. A França alegou distâncias longas, a Turquia citou razões financeiras, e a Escócia não disputou após terminar em segundo nas classificatórias britânicas.
1958: Nas Eliminatórias para a Copa da Suécia, Egito, Sudão, Turquia e Indonésia se recusaram a enfrentar Israel. País de Gales, segundo em seu grupo europeu, foi escolhido como adversário, venceu Israel e garantiu vaga.
1966: A Copa na Inglaterra não teve equipes africanas, pois 15 seleções do continente boicotaram as Eliminatórias em protesto por terem de disputar repescagem com Ásia e Oceania. Em 1970, a África ganhou vaga exclusiva.
1974: Nas Eliminatórias da Copa na Alemanha Ocidental, a União Soviética se recusou a jogar a partida da volta contra o Chile no Estádio Nacional de Santiago, alegando que era centro de detenção de presos políticos da ditadura de Pinochet.
