Presidente da Confederação Asiática afirma que Irã participará da Copa 2026, apesar de alertas de Trump
Confederação Asiática insiste em participação do Irã na Copa 2026

Dirigente da AFC reafirma presença iraniana no torneio mundial

Em meio a um cenário de tensões geopolíticas, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) mantém a expectativa de que a seleção do Irã participe da Copa do Mundo de 2026, sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México. A declaração foi feita por Windsor Paul John, secretário-geral da entidade, durante coletiva de imprensa na sede da organização em Kuala Lumpur.

Posicionamento oficial da confederação

"Até onde sabemos, o Irã vai jogar", afirmou Windsor, destacando que não há informação oficial sobre qualquer desistência do país asiático. Ele enfatizou o desejo da AFC de que o Irã, considerado uma "seleção de primeiro nível", esteja presente na principal competição mundial de seleções. "Estamos monitorando se jogarão ou não, mas, no momento, eles vão jogar", completou o dirigente.

Controvérsia envolvendo Donald Trump

A situação ganhou contornos políticos após declarações públicas de Donald Trump. O ex-presidente americano utilizou sua plataforma Truth Social para questionar a participação iraniana, argumentando preocupações com a "segurança e bem-estar" dos atletas. "Eles são bem-vindos, mas eu realmente não acho apropriado que estejam lá", escreveu Trump, referindo-se ao contexto de conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

A guerra, desencadeada por ataques americanos e israelenses contra o Irã em fevereiro, colocou em dúvida a participação do país já classificado. No grupo G da competição, todas as partidas do Irã estão programadas para serem realizadas em território americano.

Resposta da federação iraniana

A seleção iraniana rebateu as declarações de Trump através de um comunicado oficial publicado no Instagram do Team Melli, apelido da equipe nacional. "Ninguém pode excluir a seleção do Irã da Copa do Mundo", afirmou o texto, que questionou a capacidade dos Estados Unidos de garantir segurança adequada às delegações participantes.

Entretanto, o próprio presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, expressou dúvidas sobre a participação em publicações nas redes sociais: "Como ser otimista nestas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos? Se a Copa do Mundo acontecer nestas condições, quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional para um lugar assim?"

Contexto histórico e classificatória

O Irã foi a terceira seleção mundial, excluindo os países-sede, a garantir sua vaga no torneio durante a terceira fase das Eliminatórias da Ásia. Se confirmada sua participação, esta será a sétima aparição iraniana em Copas do Mundo e a quarta consecutiva, demonstrando a consistência do futebol do país nos últimos ciclos.

Caso paralelo: seleção feminina e pedidos de asilo

Enquanto a seleção masculina prepara-se para o Mundial, a seleção feminina iraniana enfrenta situação distinta. Após participação na Copa da Ásia realizada na Austrália, cinco atletas permaneceram no país e solicitaram asilo político, recebendo vistos humanitários do governo australiano.

Durante a competição, as jogadoras mantiveram-se em silêncio durante a execução do hino nacional iraniano em sua partida de estreia, sendo chamadas de "traidoras" por críticos em seu país. Nas duas partidas seguintes, cantaram o hino sob suspeita de coerção por agentes governamentais.

Segundo informações da emissora local ABC, outras duas jogadoras também optaram por permanecer na Austrália, embora ainda não tenham tido seus vistos confirmados. As atletas que solicitaram asilo fugiram do hotel da delegação durante a madrugada com ajuda de um policial infiltrado.

Monitoramento contínuo

A AFC mantém monitoramento constante da situação, aguardando desenvolvimentos políticos e de segurança que possam afetar a participação iraniana. A confederação espera que "problemas sejam resolvidos" para que o Irã possa competir no torneio que acontecerá entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.

O cenário permanece incerto, com fatores geopolíticos e de segurança influenciando diretamente os preparativos para o maior evento do futebol mundial, que pela primeira vez será sediado por três países simultaneamente.