Investigação liga Deolane Bezerra ao PCC; influenciadora é presa por lavagem de dinheiro
Deolane Bezerra presa por lavagem de dinheiro para o PCC (24.05.2026)

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo prenderam a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos sob suspeita de lavagem de dinheiro para a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão preventiva ocorreu em um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. As autoridades acusam Deolane de associação com o tráfico de drogas e de integrar a facção criminosa, funcionando como um 'caixa' do grupo.

Investigação e monitoramento internacional

A operação avançou enquanto Deolane estava em Roma, na Itália, onde passou mais de 20 dias hospedada em um prédio de luxo na região da Piazza di Spagna, com diárias superiores a R$ 15 mil. Durante a viagem, ela publicava vídeos nas redes sociais, sem saber que era monitorada pelas autoridades brasileiras e pela Interpol. A polícia chegou a planejar sua prisão em território italiano, mas ela retornou ao Brasil na véspera da deflagração da operação, sendo detida ao chegar em São Paulo.

Movimentação financeira e empresas fantasmas

De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, os investigados usam pessoas com muitos seguidores para pulverizar e ocultar dinheiro ilícito. Um relatório pericial aponta que Deolane movimentou R$ 13,6 milhões em contas pessoais entre 2018 e 2022, enquanto outros R$ 14 milhões passaram por três de suas empresas. A polícia considera a origem dos valores 'espúria', pois quase não foram encontrados pagamentos de publicidade no sigilo bancário da influenciadora. Além disso, foram identificadas empresas fantasmas em nome de Deolane, localizadas em cidades do interior paulista próximas ao presídio de Presidente Venceslau, dividindo endereço com dezenas de outras firmas de fachada.

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Conexão com a liderança do PCC

A operação atual é desdobramento de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos em uma cela de Presidente Venceslau. As mensagens continham ordens das lideranças da facção: Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e Alejandro Camacho Júnior (Marcolinha). As pistas levaram a uma transportadora ao lado da penitenciária, usada para lavar dinheiro do PCC e apoiar o tráfico internacional de cocaína. Em dezembro de 2021, celulares foram apreendidos na casa de Ciro César Lemos e sua esposa, que apareciam como donos da empresa. Mensagens mostravam Ciro falando abertamente sobre sua relação com os irmãos Marcola e Marcolinha. Em 17 de março de 2021, Paloma Camacho (filha de Marcolinha) orientou Ciro sobre o repasse do dinheiro da transportadora. O esquema era operado pelo casal de 'laranjas', que mantinha contato com Everton de Souza, o 'Player', apontado como gestor financeiro em liberdade da família Camacho.

Defesas e posicionamentos

A defesa de Deolane Bezerra, representada pelo advogado Aury Lopes Jr., afirmou que a influenciadora não possui vínculo ou conhecimento sobre a transportadora ou seus proprietários. Em audiência de custódia, Deolane declarou que os valores recebidos eram pagamentos legítimos por serviços prestados como advogada criminal. O advogado de Marcola contestou sua inclusão no caso, sustentando que a acusação se baseia apenas em supostos apelidos ditos por terceiros, sem provas diretas. A defesa também classificou como arbitrárias as prisões de Paloma e Leonardo Camacho (filhos de Alejandro), afirmando que provará a inocência dos irmãos. O advogado de Everton de Souza preferiu não se manifestar, e os representantes de Ciro César Lemos e Alejandro Camacho não foram localizados. Após a prisão, Deolane Bezerra foi transferida para o presídio feminino de Tupi, no interior de São Paulo.

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