SBT se posiciona sobre declarações transfóbicas de Ratinho e deputada entra com processo
SBT sobre falas de Ratinho: deputada processa por transfobia

SBT rompe silêncio e condena falas transfóbicas de Ratinho em pronunciamento oficial

A emissora SBT emitiu um comunicado oficial nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, se posicionando sobre as declarações consideradas transfóbicas feitas pelo apresentador Ratinho durante seu programa ao vivo na noite anterior. O texto da empresa foi claro e direto em seu repúdio a qualquer forma de discriminação.

"O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa", afirmou a emissora no documento. "As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa", completou o comunicado, indicando que o assunto será tratado internamente para garantir que os valores corporativos sejam respeitados por todos os colaboradores.

O que exatamente Ratinho disse sobre Érika Hilton?

As polêmicas declarações ocorreram na noite de quarta-feira, 11 de março, durante o Programa do Ratinho, logo após a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP) ter sido eleita para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Ao comentar a nomeação da parlamentar, o apresentador fez uma série de afirmações que invalidaram publicamente a identidade de gênero de Hilton.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher", disparou Ratinho em rede nacional. Em seu discurso, o apresentador tentou equilibrar suas afirmações dizendo que não tem nada "contra trans", mas continuou questionando a legitimidade de Hilton ocupar o cargo.

Em outro momento da fala, Ratinho voltou a colocar em dúvida o gênero da deputada: "Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher", finalizou ele, demonstrando contradição em suas próprias afirmações.

Processo judicial movido por Érika Hilton contra Ratinho e SBT

A deputada federal Érika Hilton não ficou calada diante das declarações e entrou com um processo contra o apresentador Ratinho e contra o SBT no Ministério Público Federal. A ação protocolada pela parlamentar pede investigação imediata do caso e alega que as falas ultrapassaram os limites do ataque individual.

Segundo a defesa de Hilton, o discurso de Ratinho ofendeu mulheres trans como um todo ao negar publicamente a identidade de gênero da política. O texto do processo argumenta ainda que declarações feitas em rede nacional, diante de uma grande audiência, ajudam a reforçar e legitimar o preconceito contra a comunidade trans no Brasil.

Além do inquérito civil, a parlamentar solicita a abertura de uma ação civil pública com pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Os valores, se concedidos, seriam destinados a projetos e organizações que defendem os direitos de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência.

O documento judicial também exige que o apresentador e a emissora sejam obrigados a veicular uma retratação pública sobre o conteúdo transmitido, preferencialmente em horário nobre e com a mesma visibilidade das declarações originais. A deputada Duda Salabert também anunciou que acionou o Ministério Público contra o apresentador do SBT, ampliando a pressão sobre o caso.

Repercussão e análise do caso

O episódio ocorre em um momento de crescente visibilidade e discussão sobre direitos da população trans no Brasil. Especialistas em direito e ativistas LGBTQIA+ têm destacado que declarações como as de Ratinho, vindas de figuras públicas com grande alcance midiático, podem ter efeitos concretos na vida de pessoas trans, aumentando a discriminação e violência que já enfrentam.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A postura do SBT em se distanciar das falas de seu apresentador reflete uma preocupação crescente das empresas com a responsabilidade social de seus colaboradores, especialmente aqueles que representam publicamente a marca. O caso também levanta questões sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade por discursos de ódio veiculados em programas de grande audiência.

A análise interna prometida pela direção do SBT deverá definir os próximos passos da emissora em relação ao apresentador, enquanto o processo judicial seguirá seu curso no Ministério Público. O desfecho deste caso poderá estabelecer precedentes importantes para situações similares no futuro, tanto no meio televisivo quanto na esfera jurídica brasileira.