Participante amazonense perde chance de R$ 500 mil em questão histórica
O amazonense Luiz Cordovil foi eliminado do quadro "Quem quer ser um milionário?" durante o "Domingão com Huck" neste domingo (8). O momento decisivo ocorreu quando ele não conseguiu responder corretamente uma pergunta sobre história geral que valia R$ 500 mil. Caso tivesse acertado, o participante teria a oportunidade de arriscar a resposta final pelo prêmio máximo de R$ 1 milhão.
A questão que eliminou o concorrente
A pergunta que selou o destino de Cordovil no programa foi: "Qual destes clássicos da literatura mundial a ditadura militar argentina proibiu?" As alternativas apresentadas eram:
- "Dom Quixote"
- "A Montanha Mágica"
- "Guerra e Paz"
- "O Pequeno Príncipe"
O participante, que havia acumulado R$ 150 mil até aquele momento do jogo, optou por uma resposta incorreta e foi eliminado da competição.
A resposta correta e o contexto histórico
A alternativa correta era a d) "O Pequeno Príncipe", obra do autor francês Antoine de Saint-Exupéry. Durante o período da ditadura militar argentina, entre 1976 e 1983, este livro infantil foi considerado "subversivo" pelas autoridades e chegou a ser retirado de escolas e bibliotecas em diversas regiões do país.
O regime militar argentino implementou uma intensa repressão cultural durante seus anos no poder. "O Pequeno Príncipe" foi alvo dessa censura por várias razões que as autoridades consideravam problemáticas:
- Incentivo ao pensamento crítico: Frases como "O essencial é invisível aos olhos" eram interpretadas como sugestões de que a verdade não estava necessariamente no que o Estado apresentava.
- Valores humanistas: A obra transmite valores como amizade, empatia e responsabilidade, que eram vistos como princípios que poderiam desviar a juventude do rigor militar esperado.
- Questionamento de autoridade: Personagens como o Rei, que exige obediência cega mas não tem súditos reais, eram lidos como sátiras aos ditadores.
O contexto mais amplo da censura argentina
A proibição de "O Pequeno Príncipe" não foi um caso isolado. Durante a ditadura militar argentina, milhares de livros foram banidos ou queimados em um esforço sistemático de controle cultural e ideológico. Obras de sociologia, pedagogia crítica e literatura desapareceram das prateleiras das escolas e bibliotecas.
Outro exemplo notável foi o banimento do livro infantil "Un elefante ocupa mucho espacio", da autora Elsa Bornemann. Esta obra foi acusada de promover ideias "subversivas" porque seu conto principal narrava uma greve de animais de circo, o que foi interpretado como uma analogia à organização trabalhista.
Este período sombrio da história argentina completará 50 anos no final de março, marcando meio século desde o início da ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983. A repressão cultural foi apenas um dos aspectos do regime autoritário que deixou marcas profundas na sociedade argentina.
Enquanto isso, Luiz Cordovil deixou o programa com R$ 150 mil, um valor significativo, mas sem a chance de competir pelo prêmio máximo de R$ 1 milhão que estava tão próximo. Sua eliminação serviu como um lembrete inesperado sobre um capítulo importante da história latino-americana para milhões de telespectadores brasileiros.



