Lázaro Ramos encara desafio inédito como vilão em novela das seis
O ator e apresentador Lázaro Ramos está vivendo um momento especial em sua carreira, marcado por um papel inédito na televisão e a celebração de duas décadas de seu programa de entrevistas. A partir desta segunda-feira, 16 de março de 2026, ele integra o elenco da novela A Nobreza do Amor, da TV Globo, interpretando Jendal, um ambicioso líder africano em busca de expandir seu poder no início do século XX.
Projeto pioneiro com estética inovadora
Em entrevista exclusiva, Ramos revelou que foi chamado para opinar na sinopse da novela e imediatamente se interessou pelo projeto. "É um projeto pioneiro. Eu fui chamado para opinar na sinopse, dei uma lida e pedi para fazer a novela", afirmou o ator. Ele destacou a estética inovadora da produção, que se passa em terras africanas e no Rio Grande do Norte, criando cidades fabulares que encantam o público.
O ator também expressou entusiasmo por trabalhar com o diretor Gustavo Fernandes, cujo cuidado estético e atenção aos atores foram fatores decisivos. "Fazer um primeiro vilão é um prazer novo na carreira", completou Ramos, celebrando essa nova experiência profissional.
Evolução da representatividade negra na televisão
Questionado sobre a presença de atores negros na televisão nos últimos 20 anos, Lázaro Ramos foi enfático ao reconhecer os avanços. "Sim, houve uma melhora na presença dos atores e uma melhora na variação dos personagens que são oferecidos. Um protagonismo maior", afirmou.
Ele celebrou o que considera um processo irreversível, destacando que o público tem respondido positivamente a essas mudanças através da audiência e das conversas geradas. "Isso fica evidente pela recepção do público, nos níveis de audiência, nas conversas que geram, em como o público se sente contemplado com essas histórias", observou.
Novos passos na representação
Ramos também pontuou áreas que ainda precisam de desenvolvimento, focando especialmente na linguagem da dramaturgia nacional. "Eu acho que mais pessoas como roteiristas e diretores estão desenvolvendo uma linguagem nossa, da nossa dramaturgia nacional, das histórias que interessam ao nosso público", explicou.
O ator fez uma reflexão importante sobre a terminologia usada nesse debate: "Eu não uso mais a palavra representatividade. Prefiro que a gente fale da questão da presença e representação positiva, múltipla". Segundo ele, esse é um novo passo na conversa, onde não se trata de alguém representar outros, mas de garantir uma representação múltipla e presença constante.
'Espelho': 20 anos de formação intelectual e cultural
Paralelamente à novela, Lázaro Ramos celebra os 20 anos do programa Espelho, que está no ar no Canal Brasil com a temporada especial Espelho – 20 Anos Depois. Com mais de 300 episódios ao longo de 15 temporadas, o programa se tornou um marco no audiovisual brasileiro.
Lugar de formação e aprendizado constante
"O Espelho foi o meu lugar de formação intelectual e cultural", revelou Ramos. Quando começou o programa em 2006, ele buscava oportunidades como apresentador e diretor, e convocava pessoas que pudessem trazer aprendizados e ângulos diferentes de pensamento.
O ator destacou o orgulho de chegar a duas décadas com um dos programas mais longevos da história da TV por assinatura no Brasil. "Chegar a 20 anos desse programa que se torna, assim, um dos mais longevos da história da TV por assinatura do Brasil, me encheu de muito orgulho", afirmou.
Aprendizados como comunicador
Sobre suas experiências como comunicador e formador de opinião, Ramos enfatizou a importância da escuta aberta. "O aprendizado é constante, cada temporada eu revejo coisas. Primeiro, digo que não tem um ISO 9000 de ativismo", brincou.
Ele destacou que o maior aprendizado foi "ter valores, mas ao mesmo tempo ter a escuta aberta", pois isso permite dialogar com mais pessoas. Como artista vindo do Nordeste, Ramos valorizou especialmente a oportunidade de conversar com criadores de diferentes regiões do Brasil, fortalecendo sua própria identidade cultural.
Momentos marcantes
Quando questionado sobre participações especiais nesta temporada, Ramos mencionou várias, mas destacou uma em particular: "Tony Ramos falando sobre finitude pouco tempo depois de ter passado por um problema de saúde grave foi algo que emocionou todo mundo".
O momento atual de Lázaro Ramos é de celebração dupla: enquanto explora novos territórios como ator na televisão aberta, também reflete sobre duas décadas de um programa que se tornou referência no diálogo cultural brasileiro. Sua trajetória continua a inspirar e abrir caminhos para novas narrativas na produção audiovisual nacional.



