Instituto Bacarelli vence licitação para gerir Theatro Municipal de SP
Bacarelli vence licitação do Theatro Municipal de SP

O Instituto Bacarelli foi declarado vencedor do chamamento público para assumir a gestão do Theatro Municipal de São Paulo. O resultado consta em parecer técnico da Comissão Especial de Seleção, publicado no Diário Oficial da cidade nesta sexta-feira (8). Na concorrência, o Instituto Bacarelli obteve 75,5 pontos, superando a organização social Sustenidos, atual gestora do equipamento, que somou 57,5 pontos.

Critérios de avaliação

A avaliação considerou quatro eixos previstos no edital: experiência institucional, qualificação das equipes técnicas e artísticas, consistência da proposta artística e de formação de público e viabilidade financeira. Segundo a comissão, o Bacarelli apresentou "desempenho técnico mais consistente no conjunto dos critérios avaliados", com destaque para a qualificação dos quadros dirigentes e artísticos, a organização da documentação exigida e a aderência das propostas às diretrizes da Fundação Theatro Municipal.

Já a Sustenidos perdeu pontos principalmente por falhas documentais, inconsistências na proposta artística e fragilidades na capacidade de execução orçamentária. A organização também perdeu pontos por causa de conflito de agendas das produções e subutilização da Orquestra Sinfônica Municipal.

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Próximos passos

De acordo com o cronograma oficial do processo, as organizações participantes têm prazo até 15 de maio para apresentar recursos contra a decisão. Após análise, a Fundação Theatro Municipal estima que a homologação do resultado final e a assinatura do contrato de gestão ocorram em 29 de maio – só então o Instituto Bacarelli será confirmado definitivamente como novo gestor.

O contrato terá vigência de cinco anos, contados a partir da assinatura, com valor total de R$ 663 milhões – ou R$ 132,6 milhões por ano, conforme aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) do município. Além dos recursos públicos, a organização social deverá captar receitas próprias, como bilheteria, patrocínios, doações, leis de incentivo e cessões onerosas de espaços. O edital estabelece como meta mínima a captação de pelo menos 8% do valor do repasse anual no primeiro ano do contrato.

Responsabilidades da nova gestão

A entidade vencedora será responsável pela gestão integral do Complexo Theatro Municipal, que inclui o prédio histórico do teatro, a Praça das Artes, a Central Técnica e os corpos artísticos estáveis, como a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da Cidade de São Paulo, os coros e o Quarteto de Cordas. Entre as atribuições previstas estão a elaboração e execução da programação artística, a administração de recursos humanos e financeiros, a manutenção dos equipamentos culturais, a gestão de contratos e a prestação de contas à Fundação Theatro Municipal e aos órgãos de controle.

O contrato também prevê ações educativas, estratégias para formação, ampliação e diversificação de público, iniciativas de difusão cultural dentro e fora do complexo e a adoção de metodologias para medir a satisfação do público. Embora a programação de 2026 já esteja parcialmente pactuada, a nova gestora deverá apresentar diretrizes curatoriais para todo o período contratual.

Trajetória do Instituto Bacarelli

Fundado em 1996, o Instituto Baccarelli administra 12 Centros Educacionais Unificados (CEUs) em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação e uma escola de música na comunidade de Heliópolis, na Zona Sul. A entidade também é responsável pelo Teatro Baccarelli, inaugurado em Heliópolis e considerado a primeira sala de concertos construída em uma favela, com orquestra e atendimento a cerca de 1,6 mil crianças e jovens da periferia.

Polêmica na gestão da Sustenidos

A mudança na gestão ocorre após uma crise envolvendo a Sustenidos, que administra o Theatro Municipal desde 2021. Em setembro do ano passado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a abertura do processo de rescisão do contrato com a organização social. A entidade já vinha sendo alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM), que apontava irregularidades no contrato e cobrava a realização de um novo edital.

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A situação se agravou após postagens feitas por um funcionário da organização nas redes sociais, após o assassinato do ativista conservador americano Charlie Kirk, nos Estados Unidos. Na publicação, o então funcionário afirmou que não se devia "chorar por trumpista" e comparou o ativista a nazistas. A prefeitura pediu que a organização demitisse o colaborador, o que não ocorreu. À época, Nunes disse que a recusa caracterizou conivência com a mensagem. "Quem pactua com violência não serve para prestar serviço à Prefeitura", disse o prefeito na ocasião. Além disso, 28 vereadores pediram formalmente o encerramento do contrato.

O g1 entrou em contato com o Instituto Baccarelli e com a Sustenidos a respeito do resultado do chamamento público e aguarda resposta.