O cinema nacional celebrou uma noite histórica no último domingo (11). O filme 'O Agente Secreto' conquistou duas estatuetas no prestigiado Globo de Ouro, prêmio concedido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. A produção brasileira levou os prêmios de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e de Melhor Ator para Wagner Moura.
Uma Noite de Emoção e Reconhecimento
A tensão no salão de eventos se dissipou quando a atriz britânica Minnie Driver anunciou o vencedor da categoria de filme estrangeiro, arriscando algumas palavras em português para parabenizar o "secret agent". O longa brasileiro superou fortes concorrentes da Noruega, França, Espanha, Coreia do Sul e Tunísia.
O diretor Kleber Mendonça Filho subiu ao palco para receber o prêmio e dedicou a vitória aos jovens cineastas. "Este é um momento muito importante na história para se fazer filmes aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Jovens cineastas americanos, façam filmes!", declarou emocionado.
O momento mais aguardado por muitos veio em seguida. Após a vitória de Fernanda Torres em 2025, foi a vez de Wagner Moura ser consagrado. Aplaudido de pé, o ator recebeu abraços de celebridades como Adam Sandler e Júlia Roberts a caminho do palco.
Discurso Emocionante e Significado do Filme
Em seu discurso, Wagner Moura foi reverente com os colegas indicados e com sua equipe. "'O Agente Secreto' é um filme sobre memória, ou a falta dela, e trauma geracional", refletiu. "Acho que se o trauma pode ser transmitido entre gerações, os valores também podem. Então, este prêmio é para aqueles que se mantêm fiéis aos seus valores em momentos difíceis".
O ator finalizou com uma declaração de amor à sua família e um vibrante "viva o Brasil, viva a cultura brasileira!", arrancando aplausos da plateia.
Esta foi a primeira vez que uma produção brasileira venceu duas categorias em uma mesma edição do Globo de Ouro, marcando um feito inédito 27 anos após a vitória de 'Central do Brasil'.
Enredo e Expectativa para o Oscar
'O Agente Secreto' narra a história de um professor universitário que retorna ao Recife durante a década de 1970, no período da ditadura militar, para reencontrar o filho. Ele planeja recomeçar a vida no exterior para fugir de um passado obscuro, que vai sendo revelado gradualmente, mas descobre que está sendo perseguido por matadores de aluguel.
Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura chegaram ao tapete vermelho com três indicações, um recorde para um filme brasileiro, e saíram com dois prêmios, pavimentando o caminho para a próxima grande cerimônia.
A expectativa agora se volta para o Oscar. Em entrevista após a premiação, Kleber e Wagner comentaram sobre a campanha. "A gente está indo semana por semana desde maio, quando o filme estreou no festival", disse o diretor. "Eu diria dia a dia...", completou Moura, demonstrando cautela otimista.
A comemoração pela conquista histórica, conforme relatado pelos correspondentes Nilson Klava e Felippe Coaglio, terminou da melhor maneira possível: com samba. O "molho brasileiro", como brincou Kleber ao ser questionado sobre onde guardaria o Globo de Ouro (em uma mala, para não esquecê-lo), já está garantido na memória do cinema mundial.