O ex-nadador norte-americano Ryan Lochte, um dos maiores medalhistas olímpicos da história, tomou uma decisão impactante sobre seu legado esportivo. Ele decidiu leiloar três de suas preciosas medalhas de ouro olímpicas, incluindo uma conquistada nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. As peças foram arrematadas por um valor total que superou a marca de US$ 385 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 2,08 milhões na cotação atual.
A venda, conduzida pela casa de leilões Goldin, acontece em um momento delicado da vida do atleta, marcado pelo processo de divórcio com a modelo Kayla Reid e por batalhas pessoais, incluindo problemas com alcoolismo. Esta não é a primeira vez que Lochte se desfaz de suas conquistas; em 2022, ele já havia vendido seis medalhas de prata e bronze por US$ 166 mil.
As medalhas que marcaram uma era
As três medalhas de ouro colocadas no leilão representam momentos icônicos da carreira de Lochte. O leilão foi aberto no dia 10 de dezembro e contou com uma divulgação especial nas redes sociais do atleta.
As conquistas leiloadas são:
- Ouro no revezamento 4x200 metros livres nos Jogos de Atenas-2004.
- Ouro na mesma prova, ao lado da lenda Michael Phelps, em Pequim-2008.
- Ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.
A Goldin descreveu os itens como "três medalhas de ouro que marcaram a ascensão de Ryan Lochte na história olímpica", ressaltando narrativas de "domínio, trabalho em equipe e legado".
O momento pessoal e a justificativa do atleta
Com 41 anos e um currículo que inclui 12 medalhas olímpicas (6 de ouro, 6 de prata e bronze), Lochte se abriu sobre a difícil decisão. Em entrevista à revista People, ele explicou que, apesar de as medalhas representarem memórias eternas, ele desejava que elas fossem além de apenas enfeitar uma prateleira.
"Minhas medalhas olímpicas representam memórias que levarei para a vida toda, mas agora quero que elas façam mais do que apenas ficar em uma prateleira", afirmou o ex-nadador.
Em uma publicação recente nas redes sociais, Lochte, que disse estar "emocionalmente incapaz de falar" após repercussões negativas, buscou esclarecer seus motivos. "Gostaria de esclarecer a venda das minhas medalhas: eu nunca nadei pelas medalhas de ouro. Minha paixão sempre foi ser um dos melhores nadadores do mundo", escreveu. Ele ainda destacou seu privilégio em ter conquistado 90 medalhas em competições internacionais, um feito superior ao de qualquer outro nadador.
O fantasma da polêmica no Rio-2016
Apesar do histórico brilhante nas piscinas, o nome de Ryan Lochte permanece intimamente ligado a um dos episódios mais controversos das Olimpíadas recentes. Durante os Jogos do Rio-2016, ele e outros três nadadores americanos afirmaram ter sido vítimas de um assalto em um posto de gasolina.
A versão, no entanto, foi completamente desmentida por investigações oficiais das autoridades brasileiras e do Comitê Olímpico. Imagens de circuito interno mostraram que, na realidade, os atletas haviam depredado o estabelecimento na Zona Sul do Rio e se envolvido em uma confusão com funcionários.
A falsa denúncia custou caro a Lochte: ele sofreu um enorme desgaste de imagem, foi suspenso por 10 meses de qualquer atividade ligada à natação e enfrentou diversas sanções esportivas e comerciais. O episódio deixou uma mancha permanente na trajetória do multicampeão, que agora se desfaz de parte de seu acervo enquanto reorganiza sua vida pessoal e profissional.