A influenciadora digital italiana Chiara Ferragni saiu do tribunal de Milão nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, com uma sentença favorável que encerra um dos casos judiciais mais marcantes de sua carreira. Ela foi absolvida da acusação de fraude agravada relacionada a uma campanha publicitária de produtos alimentícios com apelo beneficente, uma investigação que ameaçava uma pena de até 20 meses de prisão.
O veredicto e a reação da influenciadora
A decisão de absolvição foi proferida pelo juiz Ilio Mannucci Pacini, que considerou as acusações inadmissíveis em juízo. Ao deixar o fórum, Ferragni não escondeu o alívio e descreveu o período de dois anos de processo como um dos mais difíceis de sua vida, tanto pública quanto pessoal.
“O pesadelo acabou. Foram dois anos muito duros, mas sempre confiei na Justiça. Hoje consigo retomar o controle da minha vida”, declarou a empresária e digital creator aos jornalistas que aguardavam sua saída.
Entenda o caso do panetone e a polêmica das doações
A investigação teve início em 2022, após uma campanha natalina realizada em parceria com a fabricante italiana de panetones, Balocco. A ação de marketing divulgava que parte da receita das vendas dos produtos seria destinada ao Hospital Infantil Regina Margherita, em Turim, centro de referência em pesquisas sobre câncer pediátrico.
No entanto, apurações jornalísticas revelaram que a doação de 50 mil euros à instituição havia sido realizada antes mesmo do lançamento da campanha. Além disso, descobriu-se que Chiara Ferragni recebeu cerca de 1 milhão de euros pelo contrato publicitário, enquanto os lucros das vendas não foram diretamente canalizados para o hospital, como sugeria a comunicação da ação.
Diante das inconsistências, o Ministério Público italiano abriu uma investigação por suspeita de fraude contra os consumidores. A acusação alegava que a campanha induziu o público ao erro ao criar uma ligação direta entre a compra do produto e uma contribuição para uma causa social.
Medidas reparatórias e o debate sobre a responsabilidade dos influenciadores
Em depoimento prestado em novembro, Ferragni sustentou que todas as ações foram realizadas de boa-fé, reconhecendo apenas falhas na comunicação da campanha. “Houve um erro de comunicação, não de intenção”, afirmou na ocasião.
Mesmo antes da absolvição judicial, a influenciadora adotou uma série de medidas para reparar os danos. Foram destinados 3,4 milhões de euros ao hospital infantil, o valor total do patrocínio foi devolvido à Balocco, e os consumidores que adquiriram os panetones tiveram direito a reembolso.
Com a decisão final, Chiara Ferragni encerra um capítulo turbulento que abalou sua imagem e gerou um amplo debate na Itália e internacionalmente sobre transparência, ética e a responsabilidade de influenciadores digitais em campanhas com apelo social. O caso serviu como um alerta sobre a necessidade de clareza absoluta quando marcas e personalidades associam vendas a causas beneficentes.