MPRJ pede embargo de obra no Humaitá por violar regras urbanísticas e ameaçar patrimônio histórico
MPRJ pede embargo de obra no Humaitá por violar regras urbanísticas

MPRJ pede suspensão de construção no Humaitá por violações de regras urbanísticas e ameaça a patrimônio

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com uma ação na Justiça solicitando o embargo imediato das obras de um condomínio residencial no terreno onde funcionava o Colégio Padre Antônio Vieira, localizado no bairro do Humaitá, na Zona Sul da capital fluminense. O órgão ministerial aponta uma série de possíveis irregularidades no processo de licenciamento e alerta para o risco de danos irreparáveis ao patrimônio cultural da região, que inclui um casarão histórico do século XIX.

Projeto residencial gera polêmica e investigação

O empreendimento imobiliário, de responsabilidade da Humaitá 52 Empreendimentos Imobiliários, prevê a construção de três blocos residenciais com até oito andares, totalizando 92 apartamentos, na Rua Humaitá. A obra, no entanto, tem gerado forte reação dos moradores locais e passou a ser alvo de uma investigação aprofundada pelo MPRJ. Além de pedir o embargo das atividades no local, o Ministério Público também solicitou à Justiça a anulação de todas as licenças concedidas pela prefeitura para a construção.

No centro da disputa judicial está o casarão histórico conhecido como "Casa Amarela", que foi tombado pelo município em 2023. Segundo a argumentação do MPRJ, a forma como o projeto do condomínio foi concebido pode resultar no isolamento completo deste imóvel protegido dentro de um condomínio fechado, sem qualquer visibilidade ou acesso ao público, o que configuraria uma grave violação das normas de preservação do patrimônio cultural.

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Questionamentos sobre parâmetros construtivos e impactos ambientais

O Ministério Público também levanta sérios questionamentos em relação aos parâmetros da construção aprovados pela administração municipal. Um dos blocos residenciais terá impressionantes 96 metros de extensão, mais que o dobro do limite permitido pela legislação urbanística vigente, e ficará colado diretamente a prédios vizinhos, potencialmente causando sombreamento e outros transtornos.

Para o órgão ministerial, a aprovação do empreendimento se baseou em instrumentos internos da prefeitura que não se aplicariam adequadamente a este caso específico, indicando possíveis falhas no processo de análise. Além das questões técnicas, os moradores do Humaitá criticam fortemente o impacto ambiental da obra no entorno.

  • Além do tamanho desproporcional dos edifícios, há queixas consistentes sobre a derrubada indiscriminada de árvores nativas.
  • A drenagem contínua de água do subsolo, realizada com o uso ininterrupto de bombas, tem gerado níveis elevados de ruído e preocupações ambientais significativas.
  • Moradores organizaram protestos públicos exigindo a revisão completa do projeto e maior transparência no processo.

Posicionamento das partes envolvidas e próximos passos

A Humaitá 52 Empreendimentos Imobiliários se defende afirmando que o empreendimento está devidamente licenciado desde o início das obras, com todas as licenças emitidas há aproximadamente dois anos, após aprovação pelos diversos órgãos públicos competentes. Segundo a empresa, o projeto foi concebido e aprovado em estrita conformidade com a legislação urbanística e as normas de proteção ao patrimônio cultural estabelecidas.

Já a Prefeitura do Rio de Janeiro respondeu, por meio de sua assessoria, que a procuradoria do município ainda não foi formalmente notificada sobre a ação judicial movida pelo MPRJ. A Justiça fluminense agora deverá analisar com atenção todos os pedidos do Ministério Público contra a incorporadora e o município. Até que haja uma decisão judicial definitiva, não há qualquer definição sobre a possível paralisação das obras, enquanto moradores e defensores do patrimônio aguardam ansiosamente por uma revisão do projeto que respeite a história e o meio ambiente do Humaitá.

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