Preguiça supera fratura na coluna e tem 2 filhotes na natureza na Costa Rica
Preguiça com lesão na coluna vence e tem filhotes na natureza

A história de Elsa, uma preguiça-de-três-dedos, é um verdadeiro testemunho de resiliência na vida selvagem. Com cinco anos de idade e vivendo livre nas florestas da Costa Rica, na América Central, este animal se tornou um símbolo de superação após uma grave lesão na coluna vertebral sofrida ainda na infância.

O Resgate e a Recuperação de uma Guerreira

Elsa foi encontrada por voluntários do Instituto de Perezosos, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao resgate, pesquisa e educação sobre esses animais. Ela estava agarrada a um galho, a poucos metros do solo, mas apresentava uma clara dificuldade: não utilizava as patas traseiras. Imediatamente levada para a clínica da instituição, o diagnóstico revelou uma fratura na coluna.

Pedro Montero, diretor-assistente do Instituto, detalha o processo. "Com tratamento e fisioterapia dedicados, ela recuperou os movimentos de uma das pernas. A outra, infelizmente, não voltou a funcionar", explica. Apesar da limitação física permanente, o esforço valeu a pena. Elsa readquiriu a capacidade de se locomover de forma eficiente na mata, condição essencial para sua soltura.

Uma Vida Livre e Reprodutiva Bem-Sucedida

O verdadeiro sucesso da reabilitação é medido pela capacidade do animal de se reintegrar completamente ao seu ecossistema. E Elsa foi além. Monitorada pela equipe do Instituto, ela não apenas sobreviveu, mas também prosperou. Nos últimos anos, os biólogos registraram o nascimento de dois filhotes de Elsa na natureza, batizados de Snowflake (Floco de Neve) e Iceberg.

Montero ressalta que, como as preguiças não são animais sociais estruturados, o pai pode ser o mesmo macho ou simplesmente aquele que estava mais próximo no período reprodutivo. "Elsa é um exemplo de preguiça monitorada de forma ética, responsável e orientada pela ciência", afirma o diretor. Ela cumpre seu papel ecológico, contribuindo para o bem-estar e a continuidade de sua população.

O Trabalho Pioneiro do Instituto de Perezosos

Fundado em 2014, o Instituto tem sido um pioneiro no estudo da biologia e do comportamento das preguiças em vida livre. Seu centro de resgate recebe animais encaminhados pelo Sistema Nacional de Áreas de Conservação da Costa Rica (SINAC), bombeiros, polícia e até por particulares.

O trabalho desenvolvido permitiu a criação de um protocolo de manejo para indivíduos em risco – como filhotes órfãos ou adultos feridos – que alcança uma taxa de sucesso superior a 90%. A maioria dos animais reabilitados é devolvida à natureza sem monitoramento. Apenas em casos específicos, como o de Elsa, eles recebem um colar de rastreamento por um período que varia de seis meses a um ano.

Manter esse trabalho requer recursos significativos. O Instituto gasta cerca de US$ 12 mil mensais (aproximadamente R$ 66 mil) com os animais. Para ajudar nos custos, a instituição realiza campanhas de adoção simbólica, onde doadores recebem certificados, fotos e vídeos.

A história de Elsa vai muito além da recuperação de um único animal. Ela ilustra o impacto positivo de um trabalho organizado e comprometido com a conservação de espécies, mostrando que mesmo com limitações, a vida selvagem pode encontrar seu caminho de volta ao equilíbrio natural.