Flagrante raro na mata: guia registra harpia predando arara-canindé em Mato Grosso
Guia flagra harpia predando arara-canindé em Mato Grosso

Encontro impressionante na floresta: harpia e arara-canindé em flagrante raro

O silêncio profundo da mata foi interrompido por uma cena de força bruta e beleza selvagem, capturada em um registro visual raro e impactante. Lucas Souza, estudante de biologia e guia, realizou um flagrante extraordinário na Reserva Ecológica Cunhatai Porã, localizada no estado do Mato Grosso. Ele documentou o exato momento em que uma harpia (Harpia harpyja), reconhecida como a maior águia das Américas, predava uma arara-canindé (Ara ararauna).

O momento do encontro: uma experiência indescritível

As imagens revelam o predador de topo da cadeia alimentar pousado em um galho elevado, segurando firmemente a presa de plumagem vibrante em azul e amarelo. Lucas Souza, que trabalha diariamente com animais selvagens, estudando comportamentos e populações, descreveu o encontro como algo indescritível. "Uma cena que eu nunca tinha presenciado antes. Foi perfeito. O mundo pareceu parar. Tudo silenciou", relatou o estudante ao Terra da Gente.

Segundo o guia, a harpia não demonstrou pressa, permanecendo por aproximadamente 30 minutos com a arara presa em suas poderosas garras. Esse comportamento de "espera" é comum em grandes rapinantes, que frequentemente recuperam o fôlego ou avaliam o ambiente ao redor para garantir a ausência de competidores antes de iniciar a alimentação ou transportar a presa. Após um longo período de observação mútua entre o fotógrafo e a ave, ela levantou voo, carregando a arara em direção ao interior denso da floresta.

Por que esse registro é tão raro e valioso?

Embora a arara-canindé e a harpia compartilhem habitats em diversas regiões do Brasil, observar e fotografar essa interação predatória é um feito incomum. A harpia é considerada um predador "invisível", caçando entre as copas das árvores com audição aguçada e visão binocular para surpreender suas presas. Estudos científicos indicam que, embora aves façam parte da dieta da harpia, elas não são o principal componente alimentar.

  • Dieta preferida: A maior parte da alimentação da harpia consiste em mamíferos arborícolas, como preguiças e macacos.
  • Papel das aves: Aves como araras, mutuns e seriemas são presas secundárias, capturadas de forma oportunista.
  • Relevância científica: Pesquisas, incluindo um estudo do INPA liderado pela Dra. Tânia Sanaiotti, mostram que aves correspondem a uma parcela menor da dieta, tornando o registro de Lucas Souza ainda mais valioso por documentar um evento menos frequente.

Gigantes da fauna brasileira em confronto

O embate registrado na Reserva Cunhatai Porã coloca frente a frente dois ícones da biodiversidade brasileira, destacando suas características impressionantes e status de conservação.

  1. Harpia (Harpia harpyja): Pode atingir até 90 cm de altura e 2 metros de envergadura, com garras maiores que as de um urso-pardo, capazes de exercer pressão esmagadora. Classificada como "Vulnerável" na lista nacional de espécies ameaçadas, sofre impactos significativos do desmatamento.
  2. Arara-canindé (Ara ararauna): Conhecida por sua beleza e vocalização barulhenta, pode chegar a 80 cm de comprimento. Embora não esteja criticamente ameaçada globalmente, enfrenta riscos como o tráfico de animais silvestres.

Esse registro extraordinário serve como um lembrete poderoso de que, na natureza, a beleza também reside no ciclo da vida e da morte, um processo essencial para manter o equilíbrio dos ecossistemas. A cena capturada por Lucas Souza não apenas emociona, mas também contribui para o conhecimento científico sobre o comportamento dessas espécies majestosas.