Um filhote de macaco-prego passou por um resgate de emergência na cidade de Ji-Paraná, em Rondônia, após um episódio triste e recorrente: o susto causado por fogos de artifício. O animal, um bebê da espécie, caiu das costas de sua mãe, que se assustou com o barulho intenso. Batizado de Zé Felipe, o pequeno primata foi encaminhado para um abrigo especializado em animais silvestres, onde recebe os cuidados necessários.
Estado crítico e diagnóstico de pneumonia
A situação do filhote ao chegar ao abrigo era preocupante. Zé Felipe foi encontrado muito magro, desidratado e com febre. Além disso, ele apresentava uma lesão na cabeça, provavelmente resultado do impacto da queda. Após avaliação clínica e realização de exames, a veterinária Rosana Pereira, fundadora do Grupo de Proteção Amparo Animal, diagnosticou o animal com pneumonia. O macaco-prego segue em tratamento médico intensivo, e ainda não há uma previsão para que ele possa retornar à vida livre na natureza.
Um problema recorrente em épocas de festas
Rosana Pereira relata que casos como o de Zé Felipe não são isolados. Todos os anos, principalmente em períodos de festas e comemorações, o abrigo recebe filhotes que passam pela mesma situação. "Recebemos muitos filhotes que caem das costas das mães assustadas. É uma situação recorrente e triste", destacou a especialista. Ela explica que, apesar de inteligentes e capazes de viver bem em liberdade quando adultos, os filhotes precisam de um longo processo de reabilitação, incluindo testes e acompanhamento especializado, antes de uma possível soltura.
Apelo pelo cumprimento da legislação
A veterinária fez um apelo veemente para que a população e as autoridades respeitem as leis existentes. Tanto a legislação municipal quanto a estadual possuem restrições ao uso de fogos de artifício com barulho, mas, na prática, elas frequentemente não são cumpridas. "A legislação existe, mas não é cumprida. Soltar fogos com barulho afeta diretamente a vida dos animais, além da saúde de idosos e pessoas com autismo", ressaltou Rosana. O caso de Zé Felipe serve como um alerta para as consequências do barulho excessivo não apenas para a fauna silvestre, mas para grupos vulneráveis da sociedade.
O resgate e a recuperação do filhote de macaco-prego evidenciam um conflito constante entre tradições humanas e o bem-estar animal. Enquanto Zé Felipe luta para se recuperar, especialistas reforçam a necessidade de conscientização e de alternativas mais silenciosas para as comemorações, em respeito a todas as formas de vida.