Vítima de espancamento por mototaxistas em Salvador fala sobre trauma e recuperação difícil
Quase um mês após ser brutalmente agredido por mototaxistas no bairro do Cabula VI, em Salvador, uma das vítimas do caso revelou, em entrevista exclusiva à TV Bahia, que ainda enfrenta sérias dificuldades físicas e emocionais para retomar sua rotina. O homem, que preferiu manter o anonimato por questões de segurança, contou que segue em um processo de recuperação doloroso após passar por cirurgia no maxilar e expressou temor de que os responsáveis pelo crime não sejam devidamente punidos.
O episódio violento após o Carnaval
A agressão ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro, quando ele e um amigo retornavam do último dia de Carnaval na capital baiana. As vítimas encontraram os suspeitos no circuito Dodô (Barra-Ondina) e acertaram o pagamento de R$ 50 para cada um, para serem levados até suas casas. No entanto, ao chegarem ao prédio, o homem percebeu que seu celular estava descarregado e não conseguiria realizar o pagamento via Pix.
"Eu disse: 'Oh brother, meu celular está descarregado. Tenho que subir rapidinho para colocar uma carguinha e te pagar'. Automaticamente eles já me agrediram. 'Está me fazendo de otário, veado da desgraça'", relatou o homem, descrevendo o momento em que os mototaxistas iniciaram os ataques com socos e pontapés, tudo registrado por câmeras de segurança do local.
Consequências físicas e emocionais devastadoras
A vítima detalhou à reportagem da TV Bahia que está com o maxilar completamente imobilizado e enfrenta dificuldades para falar devido aos elásticos utilizados na recuperação pós-cirúrgica. Ele explicou que não pode fazer qualquer movimento com a boca e precisa manter uma dieta estritamente líquida, consumindo alimentos apenas por canudo.
"Eu ainda estou abalado, na recuperação pós-cirurgia, sem poder mexer o maxilar, com a boca travada por conta de elásticos. Estou esperando a justiça ser feita, mas que os agressores não fiquem impunes. É um risco de estarem na sociedade", afirmou com voz embargada.
Além das limitações físicas, o homem revelou que ainda não se sente preparado para retomar atividades simples do cotidiano:
- Não consegue ir à praia, ao shopping ou ao supermercado
- Evita qualquer exposição ao sol ou esforço físico durante a recuperação
- Precisa de repouso absoluto e evitar movimentos bruscos
- Não retomou suas atividades profissionais desde o ocorrido
Impacto financeiro e psicológico profundo
O homem estima já ter gasto mais de R$ 700 com exames médicos, deslocamentos para tratamento e medicamentos, além de arcar com custos contínuos do acompanhamento médico. Ele destacou que o impacto psicológico causado pela violência tem sido particularmente difícil de superar.
"O trauma é o mais difícil de superar", confessou, acrescentando que seu amigo, que também foi agredido, precisou deixar o local onde morava no Cabula VI devido ao medo e à insegurança.
Investigação policial e impunidade
Conforme a vítima relatou, as agressões só foram interrompidas após a intervenção de um vizinho, que realizou o pagamento aos agressores. A partir dessa ação, a polícia conseguiu identificar os dois suspeitos, mas, conforme apuração da TV Bahia, eles ainda não prestaram depoimento às autoridades.
Aproximadamente 30 dias após o crime, os homens suspeitos seguem em liberdade, enquanto familiares das vítimas buscam informações na delegacia sem obter respostas concretas sobre o andamento do caso. A 11ª Delegacia Territorial (DT/Tancredo Neves) continua investigando a autoria e motivação das agressões.
Detalhes chocantes do ataque
O homem relembrou que, na ocasião, não conseguiu reagir junto com o amigo porque ambos haviam bebido no camarote onde curtiam a festa e não estavam com coordenação motora suficiente para se protegerem adequadamente.
"Já veio com socos e pontapés. Foi na hora que eu caí, baixei a cabeça e ele continuou me socando", descreveu com voz trêmula.
As imagens de segurança mostram o momento em que as vítimas recebem diversos golpes, mesmo caídas no chão. Em um dos momentos mais críticos, um dos suspeitos chegou a pegar um tijolo no chão e ameaçou jogar nos homens, recuando da decisão apenas após ser impedido pelo outro agressor.
"A nossa sorte é que o vizinho viu a situação e eles correram, porque se não a gente estava morto hoje. Eles pegaram uma pedra para nos agredir", afirmou a vítima, destacando que os mototaxistas ainda proferiram insultos homofóbicos contra eles e roubaram o celular de um dos agredidos.
As vítimas foram socorridas e levadas para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde receberam os primeiros atendimentos. O caso continua sob investigação, enquanto a vítima luta diariamente para superar as sequelas físicas e emocionais de uma violência que mudou sua vida completamente.
