Uma professora de 43 anos foi assassinada pelo próprio marido e enterrada no quintal da residência do casal, em Pariquera-Açu, interior de São Paulo. O crime chocou a comunidade local e mobilizou as autoridades policiais.
Vítima dedicada à educação e à família
Elisângela Barbosa de Almeida atuava como professora de educação infantil na rede pública municipal há dez anos, sempre na creche Maraci Hernandes do Amaral. De acordo com uma colega de trabalho, a educadora era extremamente dedicada e vivia em função do filho, de 10 anos, fruto do relacionamento com o suspeito. A amiga relatou que Elisângela começou sua trajetória profissional na faxina e nunca teve vergonha de sua origem; pelo contrário, trabalhou e estudou para conquistar o cargo de professora.
Na escola, a docente era descrita como “extremamente responsável”, sempre avisando sobre imprevistos com atrasos, por menores que fossem. Em uma ocasião, ela se ofereceu para ministrar aulas mesmo após cair de bicicleta e cortar a orelha. A irmã da vítima também destacou a dedicação da mulher ao trabalho e ao filho, enfatizando que Elisângela não tinha problemas financeiros nem vícios em drogas, bebidas ou jogos. Apesar disso, ela fazia acompanhamento para saúde mental há dois anos.
O crime e a descoberta do corpo
O corpo da professora foi encontrado no quintal da residência do casal, no bairro Vila São João, na sexta-feira (24). Ela estava desaparecida havia cinco dias, desde que a irmã acionou a Polícia Civil. O marido, Jacemir Barbosa Bueno de Almeida, prestou depoimento à corporação, mas seu relato levantou suspeitas. Ele afirmou que a companheira havia saído de casa possivelmente com um amante, levando seus pertences. No entanto, durante o depoimento, mencionou que um cano havia estourado na residência, fato que chamou a atenção dos policiais por não ter relação com o desaparecimento.
Os agentes foram até o imóvel e, com o apoio do Corpo de Bombeiros, encontraram o corpo da mulher enterrado em uma área com “terra mexida” no quintal. O delegado Eduardo Pinheiro Alves Ferreira solicitou a prisão preventiva do suspeito por feminicídio majorado e violência doméstica. Durante audiência de custódia no sábado (25), o pedido foi aceito pela Justiça. O feminicídio foi considerado majorado porque o filho do casal estava na residência no momento do crime, na parte de baixo do sobrado.
Confissão e investigação
Informalmente, Jacemir confessou o crime aos policiais. Ele relatou que agrediu a mulher com um tapa no rosto durante uma discussão, e ela caiu ao chão desacordada, começando a convulsionar. Desesperado, o homem decidiu enterrá-la. No local, os policiais encontraram o celular da vítima e apreenderam um computador de mesa, um notebook e dois celulares pertencentes ao suspeito.
O caso foi registrado como ocultação de cadáver, violência doméstica e feminicídio na Delegacia de Pariquera-Açu, que segue com as investigações para esclarecer a motivação do crime. A Prefeitura de Pariquera-Açu lamentou a morte da professora em suas redes sociais, afirmando que “a lembrança de sua dedicação e compromisso com a educação permanecerá viva na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela”.



