Um casal foi preso pela Polícia Civil de Roraima após a morte de um menino de 2 anos, Gabriel Alejandro Larez Casado, ocorrida na noite de quinta-feira (30), no bairro Treze de Setembro, em Boa Vista. O padrasto, de 33 anos, é suspeito de ter cometido violência sexual e física contra a criança, enquanto a mãe, de 32, foi detida por omissão na proteção do filho, conforme informou a Polícia Civil.
Vítima deu entrada no hospital com múltiplas lesões
Gabriel foi levado ao Hospital da Criança Santo Antônio apresentando múltiplas lesões pelo corpo e sinais evidentes de violência sexual. Apesar dos esforços médicos, a criança não resistiu e morreu na unidade hospitalar.
Inicialmente, a mãe apresentou duas versões à polícia: primeiro, que havia jogado o filho para cima e ele caiu ao chão; depois, que o menino havia caído da rede. No entanto, a investigação da Delegacia Geral de Homicídios (DGH) identificou que ambas as versões eram falsas.
Investigação desmonta hipótese de acidente doméstico
Segundo o delegado Luís Fernando Zucchi, os vestígios encontrados no corpo da vítima e o relatório médico preliminar desmontaram completamente a hipótese de acidente doméstico. A criança deu entrada em estado extremamente grave, com múltiplos hematomas, marcas de agressão física, escoriações, mordidas e sangramento, quadro compatível com violência severa e abuso sexual.
“A versão apresentada pela mãe tentou sustentar uma narrativa de acidente. No entanto, os elementos técnicos, médicos e investigativos evidenciaram um cenário completamente distinto, revelando fortes indícios de violência brutal”, afirmou o delegado.
Padrasto mentiu sobre rotina no dia do crime
Com o avanço da investigação, a DGH também descobriu que o padrasto do menino deu informações falsas sobre sua rotina no dia do crime. Ele afirmou ter permanecido durante todo o dia em uma borracharia no bairro Treze de Setembro, das 7h às 15h, e que, ao retornar para casa, encontrou a criança em estado grave e ajudou no socorro.
No entanto, o patrão do suspeito, dono da borracharia, informou à Polícia Civil que o homem havia deixado o local por volta das 12h e só retornou às 15h. Para o delegado, essa contradição foi considerada decisiva na investigação.
Padrasto é apontado como executor direto das agressões
A polícia informou que as provas reunidas apontam que o padrasto foi o executor direto das agressões sexuais e físicas que resultaram na morte da criança, enquanto a mãe se omitiu “deliberadamente, deixando de agir para proteger o próprio filho, mesmo ocupando posição legal de garantidora”.
“A investigação revelou um cenário de violência brutal, marcado por extrema crueldade contra uma vítima absolutamente vulnerável. A resposta da Polícia Civil foi imediata, técnica e rigorosa, assegurando a prisão dos envolvidos e a responsabilização diante de crimes de tamanha gravidade”, destacou o delegado.
Padrasto também é investigado por tentativa de homicídio
O delegado informou ainda que o padrasto é investigado pela DGH em outro procedimento por tentativa de homicídio, “circunstância considerada relevante no contexto das apurações”.
O casal foi autuado em flagrante pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio qualificado. O corpo da criança foi removido ao Instituto de Médico Legal (IML), onde será submetido à perícia necroscópica. O laudo pericial deverá ser concluído em até 10 dias.
Decisão judicial: padrasto preso, mãe em liberdade provisória
Na audiência de custódia, o padrasto foi mantido preso preventivamente. Já a mãe da vítima conseguiu liberdade provisória, mas terá de cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, não sair de Boa Vista por mais de oito dias sem autorização e comunicar qualquer mudança de endereço e telefone.



