Flanelinhas impõem cobranças abusivas e intimidação no Aterro do Flamengo e Glória
Motoristas que frequentam as regiões do Aterro do Flamengo e da Glória, no Rio de Janeiro, têm denunciado práticas abusivas de flanelinhas, que cobram valores exorbitantes por vagas de estacionamento em vias públicas. Segundo relatos, as cobranças podem alcançar até R$ 100 por uma simples vaga, com casos de intimidação e coerção que deixam os condutores em situação vulnerável.
Relatos de intimidação e valores altíssimos
A engenheira Jéssica Ferreira compartilhou sua experiência ao estacionar no Aterro do Flamengo para participar de uma competição. Ela afirma que foi coagida a pagar R$ 70 a um flanelinha, mesmo estacionando em uma vaga regular. “Já aconteceu de me cobrarem R$ 90. Se você não paga, eles arranham o carro. Então, você acaba pagando. Sendo mulher, então, você não tem opção”, desabafou Jéssica, destacando o medo que permeia essas situações.
A designer Luana Cestari também relatou um episódio assustador. “Eles começaram a brigar entre si. Um deles chegou de forma ameaçadora, cobrando R$ 50. A gente conseguiu negociar para R$ 40, mas o tom foi intimidador, muito próximo, dando medo”, contou Luana, ilustrando como a negociação muitas vezes ocorre sob pressão psicológica.
Orientação para estacionamento irregular e fiscalização
Em muitos casos, os flanelinhas não se limitam a cobrar por vagas regulares. Eles frequentemente orientam os motoristas a estacionarem em locais proibidos, como calçadas e áreas irregulares, especialmente próximo à Feira da Glória, onde as cobranças chegam a R$ 50. Quando a fiscalização chega, os veículos são multados e, em algumas situações, rebocados, deixando os condutores em prejuízo financeiro adicional.
A Polícia Militar realizou uma operação de fiscalização no último domingo (22), das 6h às 12h, resultando em:
- 14 flanelinhas encaminhados à delegacia
- 38 infrações de trânsito registradas, a maioria por estacionamento irregular
No entanto, a PM alerta que muitos motoristas, por medo de retaliação, preferem não registrar ocorrência, o que dificulta as investigações e a punição efetiva dos responsáveis.
Descaso e falta de opções para os motoristas
Um motorista que preferiu não se identificar expressou sua frustração com a situação. “É um descaso. A gente vem à feira, não tem onde parar e, quando encontra uma vaga, precisa pagar um valor absurdo. O carro fica completamente à mercê na rua”, reclamou, refletindo o sentimento de impotência diante dessas práticas ilegais.
Os flanelinhas atuam principalmente aos domingos na região, alguns usando coletes de identificação para simular legitimidade, enquanto outros operam de forma mais discreta. Essa atuação persistente tem transformado o simples ato de estacionar em uma experiência estressante e onerosa para os cidadãos.
A combinação de cobranças abusivas, intimidação e orientação para infrações de trânsito cria um ciclo vicioso que prejudica tanto os motoristas quanto a ordem pública, exigindo ações mais firmes das autoridades para coibir essas atividades ilegais.



