Facção criminosa domina garimpo ilegal em terra indígena em Mato Grosso
Facção domina garimpo ilegal em terra indígena em MT

Uma megaoperação do governo federal na Terra Indígena Sararé, localizada em Mato Grosso, resultou em um prejuízo estimado em mais de R$ 42 milhões para o garimpo ilegal na região, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira (23). A ação teve início em 25 de março e ainda está em andamento.

Ações de fiscalização e repressão

De acordo com o governo, entre os dias 4 e 11 de abril foram realizadas 144 ações de fiscalização e repressão, que culminaram na inutilização de equipamentos e na destruição de estruturas utilizadas na atividade ilegal. Durante esse período, duas escavadeiras hidráulicas, avaliadas em cerca de R$ 1 milhão cada, foram destruídas. Essas máquinas são consideradas essenciais para o funcionamento do garimpo.

A operação também resultou na destruição ou apreensão dos seguintes itens:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • 42 acampamentos
  • 102 motores
  • 36 geradores
  • 150 litros de gasolina
  • 14 mil litros de diesel
  • 17 maquinários leves
  • 490 metros de mangueiras de sucção
  • 40 quilos de explosivos

Terra Indígena Sararé

A Terra Indígena Sararé abriga cerca de 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, e se estende por áreas dos municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Do total de 67 mil hectares do território, aproximadamente 4,2 mil hectares já foram impactados pelo garimpo ilegal, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão vinculado ao Ministério da Defesa.

A Sararé se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil, com 1.814 registros, segundo monitoramento do Ibama, conforme dados divulgados pela Operação Amazônia Nativa (Opan). O boletim destaca impactos ambientais significativos, como a contaminação de corpos d’água, entre eles o córrego Água Suja e o rio Sararé, com rejeitos de mineração, mercúrio e cianeto. O documento aponta ainda a degradação dos cursos d’água, incluindo a alteração e remoção do leito original de trechos do córrego.

Violência e presença de facções

Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática. Esses cenários podem ser comprovados pelas diversas operações realizadas na região, que, por ser próxima da fronteira com a Bolívia, se tornou uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas. De acordo com a Polícia Civil, a partir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2024, entraram no garimpo.

Um levantamento divulgado pela Operação Amazônia Nativa (Opan), nesta quarta-feira (22), aponta que 93% das terras indígenas mato-grossenses estão sob pressão da mineração.

Histórico de devastação

A Sararé liderou, em 2024, o ranking das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal. Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado à área cresceu 729%. Os dados constam do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro de 2025, que analisou nove estados da região. De acordo com o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal. O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com o uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar