Abandono e Insegurança Assolam o Centro de Campinas, Revelam Moradores e Comerciantes
Abandono e insegurança no Centro de Campinas preocupam moradores

Centro de Campinas Enfrenta Crise de Abandono e Insegurança, Dizem Moradores

O Centro de Campinas, outrora um polo vibrante de lazer e comércio, hoje é palco de relatos de abandono e insegurança por parte de moradores e comerciantes. José Aparecido Felipe, proprietário de uma banca na região, recorda com nostalgia os tempos em que a área era movimentada, com bondes, cinemas e diversão. "Sou do tempo do bonde nessa Campinas. Dava gosto de andar na Tomás Alves, na 13 de Maio. Tinha cinema, diversão. Quem conheceu essa Campinas nunca vai esquecer", afirma. No entanto, sua rotina atual é marcada por medo, com múltiplos assaltos registrados em boletins de ocorrência em apenas um ano. "Abrindo a banca, encostaram o carro aqui, eu achei que ia tomar café no restaurante. Aí já desceram, puseram a arma na minha cabeça, levaram meus documentos, levaram tudo. É tristeza", desabafa.

Comércio em Decadência e Fechamento de Lojas

Douglas Alexandre, outro comerciante da região central, relata que o cenário de insegurança e abandono tem levado ao fechamento de lojas e à venda ou aluguel de imóveis. "Em 2018 e 2019, antes da pandemia, estava tudo muito bem. Muito movimento, tudo organizado. Da pandemia para cá, só decadência", diz. Ele acrescenta que os impostos elevados agravam a situação, afastando clientes. "As pessoas não vêm para o Centro mais, têm medo. Ficam com medo de assalto, morador de rua demais. E muito, muito comércio fechado aqui".

Sensação de Perigo e Impacto na Vida Cotidiana

Adinoelma dos Santos, consultora óptica, compartilha experiências de assaltos, incluindo uma tentativa de roubo de sua aliança. "Quando eu vou embora, eu já tiro a aliança e muitas das vezes guardo o celular. Tudo que 'tiver' à vista deles, eles vão tentar de qualquer forma", relata. Patrícia Ribeiro, moradora há 19 anos, observa que a sensação de medo aumentou, especialmente à noite, levando famílias a preferirem shoppings por segurança. "Hoje, depois da pandemia, infelizmente as coisas mudaram. Agora a gente anda com medo, já não vamos mais tão ao Centro como íamos".

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Problemas de Infraestrutura e Vulnerabilidade Social

Beatriz Funari, gerente de loja, destaca que a queda no movimento pós-pandemia exacerbou a insegurança, com mais pessoas em situação de rua transitando pela área. Ela também denuncia problemas de infraestrutura, como buracos nas ruas e pichações frequentes, que obrigaram a mudança da fachada de sua loja. Equipes de reportagem registraram ruas com lixo espalhado, calçadas quebradas e prédios pichados, enquanto dados da Prefeitura indicam 1.557 pessoas em situação de rua no Centro em 2024.

Resposta das Autoridades e Ações de Segurança

O prefeito Dário Saadi afirmou que houve ampliação do trabalho de limpeza e análise diária da iluminação, com reposição imediata de fios furtados. Ele citou dados da Secretaria de Segurança Pública mostrando diminuição nos indicadores de violência urbana no centro. "A Prefeitura tem feito diversas ações. Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, os indicadores de violência urbana no centro diminuíram em comparação com os indicadores anteriores", disse. A Guarda Municipal atendeu 2.452 ocorrências e realizou 53 prisões no primeiro trimestre, com policiamento ostensivo contínuo pela Polícia Militar, incluindo mais de 1.500 abordagens neste ano e 285 pessoas em situação de rua retornando às suas cidades de origem em 2025.

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